A simples etiqueta de uma encomenda pode esconder um risco silencioso e crescente. Com o aumento das compras online, especialistas acendem o alerta para a exposição de dados pessoais em embalagens descartadas, que podem ser usados por criminosos para aplicar golpes.
Etiquetas de encomendas viram porta de entrada para golpes
Informações como nome completo, endereço, telefone e até CPF estão frequentemente impressas nas etiquetas de entrega. O problema é que, após o descarte, esses dados podem circular sem controle e cair nas mãos erradas.
Segundo especialistas em cibersegurança, essas informações são suficientes para que golpistas criem abordagens convincentes e enganem vítimas com mais facilidade.
“Para um golpista, essas informações são um prato cheio”, alerta a especialista Catarina Viegas.
A iniciativa propõe um gesto simples: remover, rasgar ou raspar os dados pessoais das etiquetasCampanha incentiva brasileiros a “raspar” dados das embalagens
Diante do risco, surgiu a campanha “Raspe seus Dados”, lançada no Brasil com o objetivo de conscientizar consumidores sobre a importância de destruir essas informações antes de descartar embalagens.
A iniciativa propõe um gesto simples: remover, rasgar ou raspar os dados pessoais das etiquetas. Para incentivar a prática, algumas embalagens contam até com cupons escondidos que são revelados após a remoção das informações.
A ação também reforça a ideia de que a proteção de dados não termina após a compra — ela continua até o descarte.
Golpes começam fora da internet
Criminosos têm utilizado dados de etiquetas em técnicas conhecidas como engenharia social, quando manipulam a vítima para obter informações ou dinheiro.
Entre os golpes mais comuns estão:
- Vishing (golpe por telefone): criminosos se passam por atendentes e usam dados reais da vítima para ganhar confiança
- Phishing direcionado: mensagens com links falsos usando nome e dados da pessoa
- Roubo de identidade: abertura de contas ou cartões com dados coletados
Essas abordagens funcionam justamente porque as informações parecem legítimas, reduzindo a desconfiança da vítima.
Essas abordagens funcionam justamente porque as informações parecem legítimas, reduzindo a desconfiança da vítimaBrasil está entre os países mais afetados
O cenário é ainda mais preocupante diante do crescimento dos crimes digitais. Em 2025, o Brasil ficou entre os países que mais sofreram ataques cibernéticos no mundo.
Além disso, milhões de brasileiros já tiveram dados expostos ou usados em golpes, o que reforça a necessidade de atenção até em situações aparentemente simples, como jogar uma caixa fora.
Como se proteger no dia a dia
Especialistas apontam que medidas simples podem reduzir significativamente o risco:
- Destruir etiquetas: rasgar ou apagar dados pessoais antes do descarte
- Evitar compartilhar informações: nunca fornecer dados por telefone ou mensagem sem confirmação
- Desconfiar de contatos inesperados: sempre buscar canais oficiais
- Cuidar dos dados físicos: tratar informações impressas com o mesmo cuidado que senhas
A recomendação é clara: uma caixa jogada no lixo pode ser o início de um golpe.
Pequeno hábito, grande impacto
Com milhões de encomendas circulando diariamente no Brasil, o impacto desse tipo de exposição pode ser enorme. Por isso, campanhas como “Raspe seus Dados” tentam transformar um gesto simples em hábito cotidiano.
Mais do que tecnologia, a segurança digital também depende de comportamento. E, nesse caso, a proteção começa antes mesmo de clicar em “comprar” e só termina quando os dados deixam de existir.
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