Você come tubarão e não sabe: o golpe do cação na mesa do brasileiro

A falta de rotulagem esconde espécies ameaçadas e contaminantes como metais pesados; 40% dos tubarões brasileiros estão em risco

O Brasil detém o título de maior consumidor e importador de carne de tubarão

O Brasil detém o título de maior consumidor e importador de carne de tubarão | Reprodução/Sea Shepherd

Você está comendo tubarão e nem imagina. O Brasil detém o título de maior consumidor e importador de carne de tubarão do mundo. No entanto, grande parte dos brasileiros desconhece essa realidade, pois o peixe é comercializado e consumido sob o nome genérico de “cação”.

Essa falta de rotulagem correta e transparente tem consequências graves, tanto para a conservação marinha quanto para a saúde pública. Globalmente, cerca de 100 milhões de tubarões são mortos por ano, uma matança para a qual o Brasil contribui de forma massiva.

A indústria, inclusive, tem usado o país como uma espécie de “lavanderia” para legalizar práticas insustentáveis, especialmente ligadas ao comércio de barbatana.

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Risco de extinção e saúde

A sobrepesca, impulsionada pela demanda por cação, tem levado tubarões e raias a uma redução populacional irreversível. No Brasil, a situação é crítica: 40% das espécies de tubarões estão em risco de extinção, e muitas delas, proibidas de pesca, como os tubarões-martelo e as raias-viola, acabam sendo livremente comercializadas sob o nome disfarçado de cação, já que a lei não exige a identificação precisa da espécie.

Além da matança de espécies ameaçadas, há um sério risco à saúde. A carne de tubarão e raia é prejudicial ao consumo humano, pois esses predadores estão no topo da cadeia alimentar, com alto nível trófico.

Consequentemente, eles acumulam grandes quantidades de contaminantes tóxicos, como pesticidas, metais pesados e derivados de petróleo, de todas as suas presas ao longo da vida.