Viver na BS é mais caro do que na Capital

O DL analisou os custos da cesta básica, transporte e moradia

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11 FEV 201316h24

Viver na Baixada Santista é mais caro do que na Capital paulista. O morador da Região gasta mais com alimentação e transporte do que o paulistano, segundo comparativo feito pelo Diário do Litoral. Os dados levantados pela reportagem foram analisados pelo professor de Direito Econômico e economia da Unimonte, Reinaldo Clementino de Souza.

Ônibus

A cidade de São Paulo é cinco vezes maior que Santos em extensão territorial, são 1.525 Km². Santos tem 271 km². A população da Capital paulista é 26 vezes maior que a da cidade pólo da Região Metropolitana da Baixada Santista. São aproximadamente 10 milhões de habitantes contra pouco mais de 418 mil, respectivamente.

Em São Paulo, uma média mensal de 222 milhões de pessoas utiliza o ônibus como meio de transporte. Esse universo de passageiros lotaria aproximadamente 2.400 Maracanãs. A cidade que é a maior do país em extensão territorial dispõe de uma frota de mais de 15 mil circulares, distribuída em 978 linhas municipais.

No entanto, a tarifa de ônibus da Capital paulista (R$ 2,30) é apenas R$ 0,10 maior do que a tarifa de Santos (R$ 2,20). Ainda assim, a tarifa de ônibus de São Paulo é R$ 0,10 menor que a do metrô que transporta três milhões de pessoas por dia.

Em Santos, o transporte coletivo municipal tem uma média de quatro milhões de usuários por mês e conta com uma frota de 305 ônibus que atendem 40 linhas.

Na análise do professor Reinaldo Clementino o transporte per capta é mais caro na Baixada Santista considerando as distâncias percorridas no perímetro do Município. “O preço da condução está muito mais elevado na Região do que na Capital. Aqui, o passageiro paga mais quando anda menos na Região. O custo-benefício é menor na Região”.   

Em São Paulo, a demanda compensa os gastos das empresas. A assessoria de imprensa da São Paulo Transportes S/A (Sptrans), empresa que gerencia o sistema de transporte coletivo urbano na Capital paulista, disse que o valor da tarifa é calculado sobre o custo total do sistema.

Conforme a última planilha fechada pela Sptrans, no mês de fevereiro, o sistema obteve receita de mais de R$ 289 milhões, contra uma despesa de cerca de R$ 321 milhões. Além da receita do sistema, a Prefeitura de São Paulo repassa cerca de R$ 39,4 milhões à Sptrans para cobrir os gastos provenientes da gratuidade para idosos e passageiros portadores de necessidades especiais. Somando o aporte da Prefeitura, no mês de fevereiro, a receita da companhia superou a despesa em R$ 7 milhões.  

Já a Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos (CET-Santos), que gerencia o sistema municipal de transporte coletivo urbano, informou, que a tarifa é definida considerando todos os custos de manutenção do sistema. As despesas oriundas da gratuidade para pessoas com mais de 60 anos e portadores de deficiência estão incluídas no preço da tarifa, juntamente com os insumos.

Táxi

Na Baixada Santista, a bandeirada de táxi mais cara é a de Santos. Só para entrar no táxi, o passageiro já desembolsa R$ 4,20. Em São Vicente, Praia Grande, Guarujá e Cubatão, a tarifa é R$ 4. Já o km rodado na bandeira 1 custa R$ 2,18 em Praia Grande — valor mais alto praticado — e RS 1,70 em Cubatão — valor mais baixo. Nas demais cidades, a bandeira 1 é R$ 2. As informações são do Sindicato dos Taxistas Autônomos de Santos, São Vicente, Praia Grande e Cubatão.

Na Capital, o passageiro paga R$ 3,50 na bandeirada e R$ 2,10, o km rodado na bandeira 1, segundo o Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo. Conforme analisou o DL, um passageiro que toma um táxi na cidade de Praia Grande, por exemplo, e percorre 10 km vai pagar mais caro pelo mesmo percurso percorrido do que o passageiro que tomar um táxi, na Capital.

Em Praia Grande, o passageiro desembolsará R$ 25,8, já em São Paulo, RS 24,5 pelo mesmo trajeto percorrido. Desprezando a tarifa por hora parada, o táxi sai RS 1,30 mais caro na Baixada Santista.

Cesta Básica

Levantamento do Departamento de Orçamento e Gestão (Deorg) da Prefeitura de Santos apontou que a cesta básica subiu entre janeiro e maio deste ano 8,8%, passando de uma média de R$ 184,32, para R$ 200,63, consumindo pelo menos 48,35% do valor do salário mínimo. Os produtos que tiveram maior alta foram o arroz, a farinha de trigo, o óleo e a manteiga. Somente o arroz teve um aumento de 32%.

Na cidade de Guarujá, estudo mensal do Núcleo de Pesquisas Fernando Eduardo Lee, da Unaerp Jr, apontou que o valor médio da cesta básica foi R$ 260,16, no mês de maio de 2008, um  acréscimo de 3,62%, em relação a abril, que foi de 251,08. Contudo, a cesta básica de Guarujá consumiu em junho 62,68% do salário mínimo. 

Conforme o instituto, a cesta básica média de Guarujá é inferior à da Grande São Paulo, em 8,71%, que foi de R$ 284,98, em maio. O Núcleo considerou para a base dos cálculos a lista de produtos da cesta básica do convênio PROCON/DIEESE, com o total de 31 itens, sendo 22 de alimentação; 4 de limpeza doméstica e 5 de produtos de higiene.

Já a pesquisa nacional da cesta básica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), realizada no mês de junho apontou que as famílias da Capital paulista pagaram R$ 245,24 na cesta básica. O valor corresponde a 59,09% do salário mínimo de R$ 415.

O professor Reinaldo Clementino explicou que da relação horas trabalhadas para pagar a cesta básica, tira-se o custo real para o consumidor. Então, com base nesse cálculo, no mês de maio, o guarujaense teve que trabalhar 137 horas para comprar a cesta básica, o santista, cerca de 106 horas e o paulistano 130 horas.

Imóveis

Pesquisa do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci SP) aponta que a procura por imóveis usados na Baixada Santista foi maior que a procura na Capital.

De acordo com o estudo, as vendas de apartamentos usados aumentaram RS 13,92% na Região. Já na Capital, a procura caiu RS 13,01%. Na Baixada os apartamentos mais procurados estão na faixa de R$ 100 mil, o equivalente a 61,95%. Na Capital, os mais procurados estão na faixa de R$ 120 mil — 50,91%.

Para locação, tanto na Baixada quanto na Capital a maior procura foi por imóveis com aluguel na faixa de R$ 600. Na Baixada a procura correspondeu em maio a 62,58% e em São Paulo, 54,55%.

Na Região, a procura por apartamentos alugados em maio subiu 7,87% em relação a abril. Já na Capital, a procura caiu 19,23%. Para o professor Reinaldo Clementino, a qualidade de vida e a expansão dos negócios da Petrobrás abrindo caminho para o desenvolvimento econômico da Região têm atraído moradores para o Litoral, embora ressalve que o mercado imobiliário é bastante especulativo.

Mas, o economista ressalta que os moradores das cidades da Baixada Santista ainda podem encontrar preços baixos, desde que pesquisem e comparem antes de fazer as compras, pois dessa forma, o custo de vida não sairá tão alto no fim do mês. “Principalmente em relação aos alimentos, o consumidor deve procurar comprar frutas da época, por exemplo, que são mais baratas”.

Pesquisa

O professor Reinaldo Clementino adiantou ao DL, que a Unimonte está trabalhando na pesquisa da cesta básica na área insular de Santos. Segundo ele, a partir do início do segundo semestre, a pesquisa, que será realizada nos parâmetros do Dieese, será divulgada mensalmente.