Vila Santa Casa: ‘É como se estivesse nascendo de novo, mas com dignidade’

A realidade da 'Favela Caldeirão do Diabo', como é conhecida, mudou drasticamente e os moradores comemoram a nova vida

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30 MAR 2018Por Caroline Souza08h00
Todas as famílias já foram transferidas para o Conjunto Habitacional Santos TFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Todas as famílias que habitavam a Comunidade Vila Santa Casa, mais conhecida como Favela Caldeirão do Diabo, já foram transferidas para o Conjunto Habitacional Santos T. A realidade mudou drasticamente e os moradores comemoram a nova vida.

O líder comunitário Elias do Carmo disse que quando subiu e abriu a porta do novo apartamento pela primeira vez estava ‘anestesiado’. “A ficha está caindo aos poucos. Lutei por uma moradia digna por 30 anos, mas parece que foi uma mágica”, comenta, sem parecer acreditar que tudo é real.

A antiga comunidade, que fica em frente ao Conjunto Habitacional Santos T, está demolida. Hoje, só é possível ver entulhos do que restou. Andando em meio aos escombros, outra moradora avisa Elias: “Filmei o seu barraco sendo demolido, depois vou te mandar”. A frase é recebida com felicidade. O barraco guardou muita história, mas era um local precário.

Parte da história ainda está ali, entre colchões, pedaços de móveis e objetos pessoais deixados para trás.

“Vivíamos em meio a ratos, baratas, goteiras, fiações clandestinas que podiam pegar fogo a qualquer momento”, relembra Elias. “Valeu a pena ter sonhado, esperado e lutado. É como se estivesse nascendo de novo, mas com dignidade desta vez”, comemora.

Nathália Pinheiro chegou à comunidade ainda bebê, com apenas 11 meses, e há 15 dias está no conjunto habitacional. Hoje, aos 29 anos, agradece pela oportunidade de mudar de vida. “É um misto de tudo, felicidade e ansiedade pela nova vida”, diz, ainda sem acreditar em todas as mudanças.

A moradora também relembra a luta por uma moradia digna daqueles que não conseguiram estar vivos para ver a mudança. “Ficam as lembranças de todos que lutaram para isso acontecer, como a minha avó”.

De um lado, a janela do quarto de Nathália mostra o que sobrou da comunidade, do outro, na janela da sala, é possível ver um pedaço da praia. “Nunca imaginei que fosse morar vendo a praia”, ­declara.

Da comunidade demolida, restam apenas oito barracos em pé. São os comércios da antiga favela, que também vão ganhar um novo espaço ao lado do Conjunto Habitacional Santos T.

Quando o local tinha apenas seis barracos, Severino Vicente chegou à comunidade. Há 44 anos, a lanchonete é sua fonte de renda. Quando soube da mudança, ficou apreensivo pelo que seria de seu comércio.

“A princípio a luta era por moradia, mas os comerciantes antigos lutaram junto à Prefeitura para continuar com seus pontos”, afirma Elias.

Agora, segundo Severino, tudo está sendo resolvido e ninguém ficará desamparado. “Os quiosques estão sendo construídos e devem ficar prontos em cerca de um mês”, revela. Enquanto isso, os barracos com os comércios continuam de pé em meio aos escombros das moradias.

Segundo a Cohab-Santista, em cumprimento a Lei Municipal 53/92-ZEIS, boxes comerciais estão sendo construídos para atendimento de demanda dirigida, com atualização socioeconômica em 2017, da Comunidade da Vila Santa Casa, visando à manutenção do emprego e da renda daquelas famílias.

O regime de concessão será através de Termo de Permissão de Uso Oneroso e regramento de funcionamento com base em legislação municipal.