Vereadores movem Câmara de Santos por conta do calor intenso no Brasil; veja projetos

Telma quer operação especial nas ruas e Viny em ambientes fechados com grande aglomeração de pessoas, como shows

Diferente das demais pessoas, as em situação de rua tem dificuldades para beber água potável, mesmo em dias de intenso calor

Diferente das demais pessoas, as em situação de rua tem dificuldades para beber água potável, mesmo em dias de intenso calor | Nair Bueno/DL

A ex-prefeita e atual vereadora Telma de Souza (PT) e o vereador Viny Alves (União Brasil) estão movimentando a Câmara de Santos preocupados com o calor intenso que vem tomando a Cidade e o País.

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Telma volta sua preocupação principalmente às pessoas em situação de rua, tratadas com preconceito (e com o que se convencionou chamar de aporofobia, que nada mais é que o desprezo ao pobre), e que estão a que mais sofrem.

“Sequer conseguem um copo de água no comércio e nas moradias porque são invisíveis para a maioria ou consideradas repugnantes para não tão poucos. Pessoas que precisam se deslocar ou trabalhar nas ruas, como catadores de materiais reciclados e muitos outros trabalhadores, também são privados de sombra e hidratação”, afirma Telma.

A parlamentar lembra que São Paulo (Capital) tem a Operação Altas Temperaturas. Municípios como Sorocaba já providenciaram, em questão de dias, cerca de 200 bebedouros públicos em suas vias e instalações. “Isso são mostras de que a ação governamental pode e deve ser adotada em casos extremos de calor e necessidade pública”, aponta.

Telma pede que o prefeito Rogério Santos (Republicanos) determine aos setores da Administração o desenvolvimento, com a celeridade que o tempo e o clima impõem, uma “Operação Municipal de Combate ao Calor Extremo”.

A Operação proposta por Telma englobaria franquia, devidamente sinalizada, de acesso a espaços públicos como policlínicas, unidades de Pronto Atendimento e outras, excetuando-se escolas infantis, para que a população possa conseguir abrigo do calor e acesso a água em bebedouros. “Esses últimos, por sinal, devem ser deslocados, quando possível, para áreas periféricas dos prédios, a fim de facilitar o seu acesso”.

Também a realização de amplas campanhas para alertar sobre os riscos da desidratação, com veiculação nos meios de comunicação tradicionais, nas redes sociais oficiais e o emprego de cartazes, amplamente reconhecidos como eficientes nesse tipo de comunicação pública; instalação de tendas me locais de pouca arborização e grande afluxo de pessoas, principalmente pessoas em situação de rua; distribuição de bonés; revisão completa de toda a climatização das salas de aulas de escolas e outros prédios públicos, além de aquisição de climatizadores para os abrigos.

Ainda mais: oferta de garrafas de água descartáveis em pontos diversos à população em situação de rua e aos transeuntes que as necessitarem em geral; instalação de bebedouros, dezenas, quiçá de centenas, para fácil acesso à água potável, em temperatura adequada, em praças, parques, vias públicas, praias e outros locais que se mostrarem próximo a concentração populacional.

Quer gestões junto às empresas concessionárias de transporte, varrição e coleta para que forneçam aos seus colaboradores água potável sempre que estiverem nas ruas, além de revisão do Plano de Arborização, que prevê cinco mil árvores até o final deste ano, para que esse número seja majorado e o conforto térmico melhore no futuro em áreas, principalmente as centrais, que são “desérticas”.

VINY.

Na última terça-feira, (21), Alves apresentou projeto de lei que prevê a obrigatoriedade de disponibilização de pontos de acesso a água potável e fresca gratuita em eventos culturais, de entretenimento e esportivos com previsão de mais de mil participantes, em locais desprovidos de controle de climatização, visando à prevenção da hipertermia.

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O objetivo é garantir a saúde e a segurança dos participantes diante do risco iminente de hipertermia, decorrente das altas temperaturas em eventos de grande aglomeração.

A justificativa do projeto lembra que é dever do Estado garantir o direito à saúde por meio de políticas sociais e econômicas e destaca que a redução dos riscos de doenças e de outros agravos.

Dentro desse contexto, a disponibilização de água potável em eventos públicos, segundo Viny, se torna não apenas um ato de prevenção, mas também um exercício de respeito à saúde e à dignidade dos cidadãos.

“Temos a previsão de calor extremo para o ano de 2023. Segundo estudos recentes, este será o ano de maior calor em 125 mil anos. Portanto, é crucial que estejamos preparados para lidar com essas adversidades e, mais importante ainda, proteger nossa população contra os riscos associados a esses fenômenos”, revela.

TAYLOR.

Vale lembrar que a necropsia apontou que Ana Clara Benevides, de 23 anos, fã que morreu após passar mal por conta do forte calor durante o show da cantora Taylor Swift, na noite da última sexta-feira (17), no estádio Nilton Santos, Zona Norte do Rio, teve hemorragia no pulmão e três paradas cardiorrespiratórias.

O laudo é inconclusivo, mas Polícia Civil solicitou exames complementares, de toxicologia e histopatologia, para identificar a causa da morte. Em suas redes sociais, a cantora lamentou o episódio. De acordo com a delegada Juliana Almeida, ainda é prematuro afirmar o que desencadeou o óbito.

Após determinação do ministro da Justiça, Flávio Dino, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) estabeleceu regras para proteger a saúde de consumidores em shows, festivais e grandes eventos nos períodos de alta temperatura. Agora, os responsáveis pela produção de eventos terão a obrigação de disponibilizar bebedouros e água adequada para consumo em pontos que permitam o fácil acesso à hidratação de todos os espectadores.