Vereador faz proposta em prol dos pássaros na Concha Acústica

Benedito Furtado apresentou projeto de lei complementar para a preservação das aves, mas garantiu que Administração já tem alternativa

As mortes de pássaros que estão ocorrendo por conta do choque com os vidros transparentes que envolvem a Concha Acústica, no Canal 3, não é novidade para a Câmara. Desde o último dia 22, tramita um projeto de lei complementar, de autoria do vereador Benedito Furtado (PSB), que dispõe sobre a proibição de projetos arquitetônicos que utilizem fachada de vidro, incluindo os refletivos ou espelhados.

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Furtado ficou irritado com as declarações do ativista Leandro Ferro, que disse que as ONGs estariam “fazendo o trabalho dos vereadores que se elegem em cima da causa animal, mas pouco ou nada fazem por ela”. Segundo o vereador, a Prefeitura de Santos já estava ciente do problema e já teria apresentado uma solução: colocar adesivos no entorno da concha. “O secretário de Comunicação e Resultados, Rivaldo dos Santos, já me encaminhou um modelo do adesivo, que será alusivo a notas musicais ou pássaros. Mas ele precisa contemplar todo o vidro e não uma parte dele”, disse Furtado por telefone.

Segundo Furtado, a alegação das construtoras que o vidro é uma alternativa econômica não se justifica se, por outro lado, acaba prejudicando a fauna. “Por ano, milhares de pássaros são vítimas desta opção arquitetônica. Bastaria a adoção de algumas regras, como vidros com nervuras, pintados ou opacos e superfícies envidraçadas com ângulos inclinados em vez de retos para evitar as mortes”, finaliza Benedito Furtado.

A morte de pássaros foi denunciada pelos grupos Vox Vegan, Onda Vegana e Animal S.O.S, que se reuniram com o secretário de Cultura, Fábio Nunes, o Professor Fabião, para tentar colocar um fim à questão. Fabião é biólogo. Os ativistas disseram que ele se mostrou solícito no sentido de resolver a questão. No entanto, solicitou que os ambientalistas apresentassem uma solução técnica para o problema.

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Já tem problema

A Concha Acústica de Santos já possui um problema insólito, pois impede aos artistas o uso dos principais instrumentos de percussão, como bateria acústica, bumbos e surdos, inclusive os sinfônicos. Ou seja, o equipamento é limitado. A Concha ganhou isolamento acústico que impede a saída de som e a interferência de ruídos externos, pois foi cercado por vidro temperado laminado de 16 milímetros de espessura e 3,5 metros de altura. Porém, a estrutura não garante que o som ultrapasse os limites do equipamento, que ficou 13 anos fechado por causa da propagação do som.

Foi gasto pouco mais de R$ 1 milhão, proveniente do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (Dade), do Governo do Estado, na reforma do equipamento, após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a Prefeitura de Santos e o Ministério Público (MP). No entanto, o equipamento nunca mais pode ser utilizado de forma plena.

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Além de praticamente impedir apresentações de samba, rock, pop, pagode e demais estilos que dependam de percussão, os artistas não podem usar reprodutores do tipo subwoofer, caixas de retorno de palco, amplificadores ou reprodutores de qualquer tipo ou potência.

TAC

O documento que impõe regras e previne uma possível ação judicial — foi homologado após o segundo teste de som aprovado por técnicos do MP, da Cetesb e Prefeitura, na presença do promotor público, Daury de Paula Júnior.