Cotidiano

Veneno de sapo-cururu da Amazônia possui moléculas com potencial antibiótico

A descoberta foi possível após análises estruturais e funcionais feitas com ferramentas computacionais, que auxiliam na compreensão da função biológica dessas moléculas

Márcio Ribeiro, de Peruíbe para o Diário do Litoral

Publicado em 02/04/2026 às 08:59

Atualizado em 02/04/2026 às 09:06

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A hipótese dos cientistas é que a BASP1 desempenhe um papel na contração e na regeneração da glândula da pele / Butantan/Divulgação

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Pesquisadores do Instituto Butantan identificaram no veneno do sapo-cururu da Amazônia (Rhaebo guttatus) fragmentos de proteína com potencial para combater bactérias.

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A descoberta foi possível após análises estruturais e funcionais feitas com ferramentas computacionais, que auxiliam na compreensão da função biológica dessas moléculas.   

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Os venenos armazenados em glândulas localizadas na pele dos sapos desta espécie funcionam como um escudo de proteção contra predadores e contra possíveis agentes patógenos que vivem no ambiente. Essa dupla função é composta por elementos com diversos efeitos biológicos, incluindo propriedades antibacterianas e antivirais.   

Ao Portal do Butantan, o pesquisador Daniel Pimenta ressaltou a importância da busca por novos compostos na natureza diante do cenário global de resistência antimicrobiana.

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 “Em um contexto de resistência antimicrobiana, a busca por novos compostos antibióticos na natureza é uma estratégia importante para o desenvolvimento futuro de fármacos capazes de combater bactérias resistentes”, destaca.   

A análise revelou também a presença da proteína BASP1, que até então não havia sido identificada em anuros, sendo comumente encontrada no sistema nervoso de humanos e outros animais.

A hipótese dos cientistas é que a BASP1 desempenhe um papel na contração e na regeneração da glândula da pele, que sofre um processo inflamatório natural quando o veneno é expelido.

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Também foram identificadas proteínas relacionadas à contração muscular, ao estresse oxidativo e à imunidade do animal.   

O estudo trouxe também novas respostas sobre a biologia do sapo-cururu, espécie nativa da América do Sul, mas que foi introduzida em países da Ásia e nos Estados Unidos na tentativa de controlar pragas agrícolas.   

O artigo foi publicado na revista científica Toxicon e contou com a colaboração da Unifesp e da Fiocruz Rondônia, que cedeu as amostras do veneno. A pesquisa foi financiada pela CAPES e pela FAPESP. Com informações do Butantan.

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