Cotidiano
Com o sumiço do fiador e a consolidação do depósito caução, o setor de locação na região registra alta de 135% no acumulado de 12 meses, puxado por unidades de até 100 m²
Levantamento com 145 imobiliárias revela recuo de 11% nas vendas e uma busca acelerada por aluguéis de até R$ 2.500; juros altos explicam a cautela dos compradores / Reprodução/Freepik
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O mercado imobiliário da Baixada Santista viveu um fevereiro de contrastes. Enquanto as vendas de imóveis desaceleraram, as locações dispararam, um sinal claro de que o consumidor está readequando suas escolhas diante de um cenário econômico ainda marcado por juros elevados e cautela nas finanças familiares.
Levantamento realizada pela CRECISP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) com 145 imobiliárias da região aponta queda de 11,78% nas transações de compra e venda na comparação com fevereiro de 2025.
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No mesmo perÃodo, os contratos de locação cresceram expressivos 59,53%, revertendo a queda registrada em janeiro e colocando o segmento como o grande motor do setor no inÃcio de 2026.
Apesar da retração, o financiamento segue como principal via de acesso à casa própria. A Caixa respondeu por 29,4% das operações, outros bancos por 25,5%, enquanto as compras à vista representaram 31,4%, um indicativo de que há compradores com capacidade de poupança ainda ativos no mercado.
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Os apartamentos lideraram as vendas (55%), seguidas por casas (45%). A faixa de preço mais disputada foi a de R$ 201 mil a R$ 300 mil, responsável por 37,3% das negociações, evidenciando a busca por custo-benefÃcio.
O segmento de locação foi o grande destaque do perÃodo. Os apartamentos dominaram (75%), com forte demanda por unidades compactas de até 100 m², um perfil que atende desde jovens morando sozinhos até famÃlias que buscam reduzir custos.
Os valores dos aluguéis apontam elevação do tÃquete médio: 18% dos contratos ficaram entre R$ 2.001 e R$ 2.500, e 12% entre R$ 2.501 e R$ 3.000, indicando que a locação tem atraÃdo também uma demanda qualificada.
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Uma mudança estrutural chama atenção, o depósito caução consolidou-se como principal garantia (62,9%), seguido pelo seguro-fiança (31,4%). O fiador tradicional praticamente desapareceu (1,4%), evidenciando a busca por menos burocracia e mais segurança jurÃdica nas relações locatÃcias.
Os números de fevereiro desenham um mercado em transformação. A queda nas vendas não indica esfriamento estrutural, mas sim uma readequação à realidade econômica. Já a disparada das locações mostra que a demanda por moradia segue aquecida, apenas migrou de canal.
No acumulado dos últimos 12 meses, o desempenho do setor na Baixada Santista segue robusto: as vendas acumulam alta de 65,57% e as locações, 135,10%. Os números reforçam que, apesar das oscilações mensais, o mercado regional mantém fundamentos sólidos, sustentado por atratividade turÃstica, migração de grandes centros e investimentos em infraestrutura.
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Para os próximos meses, a expectativa é que as locações sigam puxando o movimento, enquanto as vendas devem reagir conforme o cenário de crédito evoluir. Até lá, compradores e locatários seguem caminhos distintos, uns aguardando o momento certo para comprar, outros aproveitando a flexibilidade de um mercado de locação em plena ebulição.