Cotidiano

Vendas caem e locação dispara quase 60% no mercado imobiliário da Baixada Santista

Com o sumiço do fiador e a consolidação do depósito caução, o setor de locação na região registra alta de 135% no acumulado de 12 meses, puxado por unidades de até 100 m²

Nathalia Alves

Publicado em 27/03/2026 às 21:05

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Levantamento com 145 imobiliárias revela recuo de 11% nas vendas e uma busca acelerada por aluguéis de até R$ 2.500; juros altos explicam a cautela dos compradores / Reprodução/Freepik

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O mercado imobiliário da Baixada Santista viveu um fevereiro de contrastes. Enquanto as vendas de imóveis desaceleraram, as locações dispararam, um sinal claro de que o consumidor está readequando suas escolhas diante de um cenário econômico ainda marcado por juros elevados e cautela nas finanças familiares.

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Levantamento realizada pela CRECISP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) com 145 imobiliárias da região aponta queda de 11,78% nas transações de compra e venda na comparação com fevereiro de 2025.

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No mesmo período, os contratos de locação cresceram expressivos 59,53%, revertendo a queda registrada em janeiro e colocando o segmento como o grande motor do setor no início de 2026.

Vendas: crédito ainda sustenta, mas comprador segura o passo

Apesar da retração, o financiamento segue como principal via de acesso à casa própria. A Caixa respondeu por 29,4% das operações, outros bancos por 25,5%, enquanto as compras à vista representaram 31,4%, um indicativo de que há compradores com capacidade de poupança ainda ativos no mercado.

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Os apartamentos lideraram as vendas (55%), seguidas por casas (45%). A faixa de preço mais disputada foi a de R$ 201 mil a R$ 300 mil, responsável por 37,3% das negociações, evidenciando a busca por custo-benefício.

Locação em alta: compactos, tíquete mais alto e o fim do fiador

O segmento de locação foi o grande destaque do período. Os apartamentos dominaram (75%), com forte demanda por unidades compactas de até 100 m², um perfil que atende desde jovens morando sozinhos até famílias que buscam reduzir custos.

Os valores dos aluguéis apontam elevação do tíquete médio: 18% dos contratos ficaram entre R$ 2.001 e R$ 2.500, e 12% entre R$ 2.501 e R$ 3.000, indicando que a locação tem atraído também uma demanda qualificada.

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Uma mudança estrutural chama atenção, o depósito caução consolidou-se como principal garantia (62,9%), seguido pelo seguro-fiança (31,4%). O fiador tradicional praticamente desapareceu (1,4%), evidenciando a busca por menos burocracia e mais segurança jurídica nas relações locatícias.

Mercado se reacomoda

Os números de fevereiro desenham um mercado em transformação. A queda nas vendas não indica esfriamento estrutural, mas sim uma readequação à realidade econômica. Já a disparada das locações mostra que a demanda por moradia segue aquecida, apenas migrou de canal.

No acumulado dos últimos 12 meses, o desempenho do setor na Baixada Santista segue robusto: as vendas acumulam alta de 65,57% e as locações, 135,10%. Os números reforçam que, apesar das oscilações mensais, o mercado regional mantém fundamentos sólidos, sustentado por atratividade turística, migração de grandes centros e investimentos em infraestrutura.

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Para os próximos meses, a expectativa é que as locações sigam puxando o movimento, enquanto as vendas devem reagir conforme o cenário de crédito evoluir. Até lá, compradores e locatários seguem caminhos distintos, uns aguardando o momento certo para comprar, outros aproveitando a flexibilidade de um mercado de locação em plena ebulição.

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