Usiminas insiste em demitir e tenta calar Rosana Valle em audiência

Reunião de três horas termina sem acordo entre siderúrgica e sindicato. Deputada pede bom senso

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07 JUL 2020Por Da Reportagem17h10
Não houve acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos na audiência de conciliação realizada nesta terça-feira (7)Foto: Arquivo/DL

A Usiminas não abre mão de fazer demissões em massa na siderúrgica de Cubatão em plena pandemia. Assim, não houve acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos na audiência de conciliação realizada nesta terça-feira (7), presidida pelo desembargador Ricardo Apostólico Silva, do Tribunal Regional do Trabalho, que autorizou a deputada federal Rosana Valle a falar mesmo contra a vontade da siderúrgica, que tentou impedir a manifestação da parlamentar durante toda a audiência.

Rosana Valle fez um apelo ao bom senso, depois de quase três horas de reunião sem acordo, e pediu sensibilidade à Usiminas. Disse que acredita na retomada da economia e que as 900 demissões serão dramáticas para os trabalhadores neste momento em que acaba de ser sancionada a Lei Federal 14.020, justamente para manter os empregos na pandemia.

O Ministério Púbico do Trabalho (MPT), que defendeu a palavra da deputada, também apelou pelo entendimento de forma contundente.

O desembargador Ricardo Apostólico da Silva remeteu a ata ao ministro corregedor-geral do Trabalho e à juíza de Cubatão, onde tramita ação civil pública para impedir as demissões.

 Hoje, as demissões estão proibidas por medida liminar da Justiça do Trabalho de Cubatão, que foi mantida pelo TRT.

 O magistrado tentou diversas vezes um acordo entre as partes, lembrando que tal caminho ficou difícil porque  a Usiminas já começou impondo como premissa as demissões massivas, com as quais o sindicato não concorda.

O Sindicato dos Metalúrgicos não aceitou esta ‘condição imutável’ da siderúrgica. O MPT também tentou, em vão, que a Usiminas reconsiderasse as dispensas, pelo menos durante a pandemia.

Ao final, o sindicato apresentou uma proposta de 12 itens, que inclui redução da jornada de trabalho, suspensão do contrato e até demissões, levando em conta o limite máximo do turnover da empresa (percentual de rotatividade dos empregados).

A Usiminas informou que o turnover é baixo, o que não reduziria significativamente o número de dispensados.  A siderúrgica disse que poderia levar a proposta à direção, mas deixou claro que a redução do corte não seria a pretendida pelo sindicato.

A Usiminas propôs, aos aposentados demitidos, indenizar o aviso-prévio, pagar retorno de férias ou vale alimentação por dois meses. Aos demais, ofereceu dar carta de referência, histórico de treinamento, guias do seguro desemprego, aviso-prévio, retorno de férias ou cartão alimentação, e pagar metade do plano de saúde por três meses. Não houve acordo.