Usado por 60% da população, transporte público está aquém do desejado

Ipea entrevistou 2.786 pessoas para saber qual a percepção delas dos meios de locomoção que utilizam: ônibus, carro, moto, bicicleta ou a pé

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04 MAI 201111h43

O transporte público é o meio de locomoção mais usado por 60,05% das pessoas que moram em cidades das regiões metropolitanas do país, segundo estudo de percepção dos usuários sobre mobilidade urbana do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgado ontem. A segunda edição do estudo do Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips) do Ipea pesquisou como os usuários de carro, transporte público, bicicleta e os que andam a pé avaliam os meios de locomoção que escolheram. A pesquisa foi feita não só nas regiões metropolitanas, como também em cidades fora dessas regiões e capitais.

Nas regiões metropolitanas – caso da Baixada Santista -utilizam carro 22,55% dos entrevistados; moto 7,02%; bicicleta 3,48% e andam a pé 6,89%. Entre as pessoas ouvidas pela pesquisa que não dependem de transporte público, mais de 20% não se tornariam usuários desse tipo de transporte pelos motivos que os levaram a optar pelo uso de carro, moto, bicicleta ou a pé. São eles: rapidez, disponibilidade, conforto e menor preço.

Os entrevistados também afirmaram que se sentem mais seguros se locomovendo de carro do que de ônibus coletivo, tanto pessoas que já sofreram acidentes de trânsito quanto os que nunca sofreram. 

Quanto aos que escolheram o transporte público, os principais motivos apontados foram ser mais barato, mais rápido e ser a única forma que conhecem, nesta ordem. Entretanto, para ser considerado um “bom transporte”, as pessoas ouvidas pela pesquisa em geral apontaram que o transporte público deve ser rápido, ter mais de uma forma disponível e sair num horário adequado.

A pesquisa, no tema mobilidade urbana, entrevistou 2.786 pessoas em domicílio, maiores de 18 anos, entre os dias 4 e 20 de agosto de 2010 em 146 municípios. Considerou-se uma distribuição pelas grandes regiões do país e por cotas, tendo como parâmetros a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD) 2008, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Recentemente o DL fez uma série de reportagens sobre o transporte público coletivo oferecido nas cidades da Baixada Santista. Em quase todas as cidades, com exceção de Cubatão, os usuários de ônibus coletivos afirmaram que pagam caro pela qualidade do serviço que é oferecido. A população em geral entrevistada pelo DL afirmou que deveria haver mais ônibus nas linhas, com mais conforto. Demora no ponto de ônibus e ônibus lotados foram as principais reclamações dos usuários da Baixada Santista.

Apenas na cidade de Cubatão o transporte público foi elogiado pelos usuários pelo baixo preço da tarifa e pela quantidade de circulares que atendem a demanda. Além dos coletivos, os passageiros de bairros mais afastados de Cubatão contam ainda com a frota do transporte alternativo, que segundo eles, serve bem os bairros Cota, por exemplo.

Em Santos, cidade polo da Baixada, os passageiros reclamaram que a tarifa é alta pela pequena quilometragem percorrida pelos coletivos. Em Peruíbe, onde a companhia de transporte público detentora da concessão queria reajustar a tarifa em 32%, foi a cidade aonde a população mais se queixou de falta de coletivos e demora nos pontos de ônibus. O reajuste abusivo da tarifa foi vetado pela Prefeitura.