UPA de Peruíbe corre o risco de ficar sem médicos

Quem faz o alerta é a Organização Social Plural, responsável pela unidade, que já notificou a Prefeitura da situação, ocorrida, segundo ela, “de constantes atrasos nos repasses da Administração”

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04 NOV 201309h59

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Peruíbe corre, desde sábado, o risco de ficar sem médicos para atendimento. Quem faz o alerta é a Organização Social Plural, responsável pela unidade, que já notificou a Prefeitura da situação, ocorrida, segundo ela, “de constantes atrasos nos repasses da Administração”.

Segundo esclarece a Plural, o “socorro à população pode ficar comprometido” porque “sem os repasses, não conseguimos honrar com os pagamentos dos médicos, que estão sem receber por seus plantões há 81 dias, referentes aos meses de julho, agosto e outubro”. A entidade também levou o caso ao Ministério Público.

A Plural informa ainda que está com dificuldades em encontrar profissionais para atuar no local, “pois todos já têm conhecimento desses atrasos constantes”.
Quando houve repasse da Prefeitura para a Plural, desde junho foi feito de forma fracionada. Segundo a entidade, a prioridade “foi o pagamento dos funcionários celetistas (técnicos, enfermeiros, auxiliares administrativos e limpeza, entre outros), além da compra de medicamentos e insumos para o funcionamento da unidade, seguidos dos pagamentos dos médicos”.

Ainda de acordo com a empresa, a dívida da Prefeitura já acumula mais de R$ 3 milhões. “Não temos mais recursos para pagar os médicos, fato este que já ocorreu no passado e deixou todo o serviço prejudicado”, diz a nota enviada ao Diário do Litoral.

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Peruíbe corre, desde sábado, o risco de ficar sem médicos para atendimento (Foto: Divulgação)

A empresa informa que está tomando todas as medidas cabíveis para reverter essa situação e não deixar a população de Peruíbe desassistida, mas alerta: “Porém, o risco de não conseguirmos contratar mais médicos para atuar em Peruíbe é iminente”.

Retomada da gestão

Segundo a Prefeitura, a Plural foi notificada na noite de sexta-feira. A Administração Municipal “está retomando a gestão completa da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade”.

De acordo com nota enviada ao DL, a prefeita Ana Preto (PTB) determinou abertura de processo administrativo para apurar a inexecução contratual e a quebra da gestão compartilhada com a OS Plural. “Com isso, a prefeita anuncia o processo de municipalização da Saúde iniciado para os próximos 180 dias. Com a intervenção municipal na UPA, serão convocados médicos da rede municipal. De imediato, para restabelecer a unidade, serão convocados 40 técnicos de Enfermagem e 10 enfermeiros”.

A decisão da Prefeitura, explica a nota, “foi tomada em virtude da observação de diversos contratos firmados nos últimos cinco anos com as terceirizadas em outras cidades brasileiras e até mesmo em Peruíbe, que não obtiveram sucesso desejado e demanda não atendida”.

Com relação à dívida da Prefeitura com a terceirizada, a nota informa que “oscila em torno de R$ 2 milhões, porém a prestação de contas e a falta de rubricas contratuais nos levaram à intervenção da unidade”.