Túnel Santos-Guarujá: União ‘desempaca’ verba bilionária para obra mais esperada do litoral

Recurso assinado pela Fazenda garante o maior projeto do Novo PAC em SP; estrutura contará com três faixas, VLT e ciclovia sob o canal do Porto

Imagem produzida por inteligência artificial para ilustrar como será o trânsito dentro do Túnel Santos-Guarujá

Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) passará por dentro do túnel submerso ligando as margens do Porto de Santos (Divulgação/GovernoSP)

Uma espera histórica de mais de um século acaba de superar sua última e mais complexa barreira burocrática. O Ministério da Fazenda, formalizou nesta quinta-feira (23) a garantia necessária para o contrato de financiamento de R$ 2,56 bilhões para construção do Túnel Santos-Guarujá.

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Na prática, este aval da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) era a “chave” que faltava para liberar os recursos. A obra é uma parceria firmada entre o Governo do Estado de São Paulo e o Banco do Brasil.

A publicação do extrato no Diário Oficial da União valida a maior obra do Novo PAC no Estado e garante o fluxo de caixa para a contrapartida estadual na Parceria Público-Privada (PPP).

Este desfecho ocorre após um período de incerteza em março de 2026, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) chegou a suspender os repasses federais, exigindo maior transparência na gestão dos recursos.

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Com a assinatura da procuradora Ana Lúcia Gatto de Oliveira e do secretário estadual Samuel Kinoshita, a verba agora está plenamente disponível. A obra mais esperada do Litoral irá transformar a travessia entre as duas cidades em um trajeto de apenas três minutos.

Detalhes técnicos e financeiros do Túnel Santos-Guarujá

O investimento total estimado no empreendimento é de R$ 6,8 bilhões, uma soma que reflete a complexidade da engenharia envolvida para construç

Três frentes garantem os recursos do projeto: a União e o Governo de São Paulo dividem o aporte de R$ 5,1 bilhões. Enquanto isso, a Mota-Engil Latam Portugal S.A. aplica R$ 1,6 bilhão conforme o contrato de concessão.

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A maior fatia dos recursos formalizados (cerca de R$ 2,53 bilhões) financiará a construção da estrutura submersa no canal do Porto de Santos.

Os R$ 35,11 milhões restantes estão reservados para a infraestrutura de transporte coletivo, que inclui o prolongamento do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) pelo interior do túnel. E ainda tem a criação de faixas exclusivas para ônibus intermunicipais, garantindo uma conexão rápida e sustentável entre os dois municípios.

Engenharia de vanguarda: O túnel por dentro do mar

A ligação terá 1,5 km de extensão total, sendo 870 metros de túnel efetivamente imerso a uma profundidade de 21 metros.

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Diferente dos túneis escavados em rocha, este projeto utiliza uma técnica inovadora. A equipe constrói os módulos de concreto em terra firme e os transporta por flutuação até o canal do porto. Lá, os técnicos submergem e acoplam as peças por pressão para garantir uma estrutura estanque

A base do túnel contará com três faixas de rolamento por sentido, ciclovia e passagem para pedestres. E, assim, o sistema permitirá que cerca de 80 mil pessoas por dia cruzem o canal sem depender da balsa (que leva cerca de 20 minutos) ou da Rodovia Cônego Domênico Rangoni (um trajeto de 43 km que pode levar uma hora).

As obras devem gerar nove mil empregos diretos e indiretos, com o início das intervenções físicas previsto para 2027 e operação plena em 2031.

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O fim de um século de promessas

O projeto atual encerra um ciclo de tentativas frustradas que remontam à década de 1910. Desde pontes levadiças propostas por Adhemar de Barros em 1948 até projetos cancelados em 2015 na gestão de Geraldo Alckmin, o túnel Santos-Guarujá sempre esbarrou em falta de orçamento ou inviabilidade técnica.

A atual parceria entre o governador Tarcísio de Freitas e o Governo Federal, consolidada no início de 2024, finalmente deu tração ao projeto, superando inclusive as divergências políticas sobre o modelo de desestatização do Porto de Santos.

Com o financiamento garantido, a próxima fase foca no licenciamento ambiental definitivo e nas sondagens de solo no canal do Porto.

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Para o morador da Baixada Santista, o aval do Ministério da Fazenda representa o marco zero real da obra, garantindo que o cronograma de entrega para a próxima década saia finalmente das promessas de papel para a execução física definitiva.