A Cidade do México, uma das maiores metrópoles do planeta, enfrenta há décadas um desastre geológico que assusta até a Nasa. O município enfrenta o afundamento gradual e contínuo do solo sob os pés de seus mais de 20 milhões de habitantes.
Dados monitorados por radares espaciais de agências dos Estados Unidos e da Índia revelam que algumas regiões estão afundando até 2 cm por mês. O sistema de monitoramento acompanha, em tempo real e a partir da órbita da Terra, as micro-movimentações da superfície.
Cidade afunda por um motivo
O fenômeno assustador ocorre porque a cidade foi erguida sobre antigos leitos de lagos e um enorme aquífero. Com o peso massivo dos prédios e o bombeamento constante de água subterrânea para abastecer a população, o terreno cede e compacta de forma inevitável.
Esse problema não é novidade, mas a velocidade histórica chama a atenção há mais de um século. Entre as décadas de 1990 e 2000, partes da área metropolitana chegaram a afundar impressionantes 35 cm por ano.
O impacto desse deslocamento de terra na infraestrutura urbana é devastador, gerando deformações em portas e janelas, além do rompimento de tubulações e vazamentos frequentes.
Cicatrizes na infraestrutura urbana
Os reflexos do colapso subterrâneo estão espalhados por toda a cidade em forma de rachaduras profundas em residências, crateras nas ruas e prédios visivelmente inclinados. Segundo a Nasa, uma das zonas mais críticas atualmente fica no entorno do Aeroporto Internacional Benito Juárez.
Até mesmo o transporte público foi afetado, e trechos do metrô sofrem danos estruturais provocados pela movimentação irregular do solo. Nem os cartões-postais escaparam do fenômeno: o icônico Anjo da Independência precisou ganhar 14 degraus extras em sua base ao longo dos anos.
Como a estrutura do monumento foi fixada em estacas profundas e estáveis, o solo ao redor do Anjo afundou e deu a impressão que a estátua estaria mais alta que o nível da rua.
O peso da geografia e o fantasma dos abalos sísmicos
Autoridades locais reforçam que esse tipo de subsidência é uma consequência física comum em cidades fundadas sobre antigos lagos que sofrem exploração hídrica predatória. Sem água para preencher os poros do solo arenoso e argiloso, a terra simplesmente desaba sob o próprio peso.
Para complicar o cenário de engenharia e segurança pública, a Cidade do México combina o afundamento crônico com uma atividade geológica altamente instável. O país convive com terremotos de grande intensidade, sendo que o último de magnitude 6.3 no sul do território mexicano no início de 2026.






