Um Silva nas ruas de Santos

O ambulante Antonio José da Silva ganha a vida com fé e irreverência na entrada da cidade

Ele chama atenção pela vestes: gravata, chapéu, calça e camisa social. A bicicleta cargueiro, onde transporta um grande isopor com água, suco e refrigerante, fica estacionada no canteiro central do final da Avenida Nossa Senhora de Fátima, na entrada de Santos. Todos os dias, o motorista Antonio José da Silva faz como milhares de brasileiros que enfrentam a crise na informalidade: ganha a vida como ambulante.

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“Há mais de 10 anos trabalho aqui. Mas sumi um pouco porque estava ‘fichado’ em uma empresa. Aí veio a crise e fui demitido. Sou motorista. Pra mim não existe crise, porque sou fiel. Tendo coragem de trabalhar Deus abençoa”, afirmou Silva, que é casado e tem um filho.

O ambulante é irreverente. Conquista os clientes, motoristas que passam na entrada de Santos, com muita simpatia. Chama atenção pela vestes: gravata, calça e camisa social. O chapéu, que ganhou de caminhoneiro, completa o visual. “Os caminhoneiros são muito bondosos. Eles costumam comprar mais”, afirmou. Silva comercializa água, suco, refrigerante e salgadinho.

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O número de trabalhadores informais – que atuam por conta própria – teve um crescimento de 4,6% no ano passado, com relação a 2014. Ao todo foram 204 mil pessoas a mais no período, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  

Deus

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Durante a entrevista, Silva fala muito o nome de Deus e Jesus e faz questão de ressaltar a fé. O ambulante, que mora no Bom Retiro, na Zona Noroeste, é pastor de uma igreja pentecostal localizada no Jardim Castelo. Realiza trabalho social com moradores de rua e aconselha jovens e crianças que divide a atenção dos motoristas com ele semáforo.

“A gente aconselha a ficar no caminho do bem. Lá na igreja a gente faz um trabalho social. Sai para distribuir sopão a cada 15 dias. A gente que trabalha na rua conhece muita gente. Acolhi um rapaz, uma vez, que estava há dois dias sem comer. Estava com fome. Eu sei o que é passar necessidade pois já fiquei na rua”, contou Silva.

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O ambulante usa a bíblia como referência para falar da sua função como pastor. “Não posso discriminar ninguém. A bíblia diz que não temos esse direito. Só Deus pode julgar. Todo mundo é acolhido na igreja. A gente tem que ajudar com uma palavra amiga, uma oração. Ainda que seja a situação mais difícil explicar que vai conseguir vencer, porque Deus é maior que todos os problemas”, afirmou.