Cotidiano
Governador paulista defende reativação do sistema funicular de Paranapiacaba para o Trem Intercidades; entenda como funciona a tecnologia
Funicular funciona com dois veículos ligados por cabos: enquanto um sobe, o outro desce, atuando como contrapeso / Paulo Carmona/Wikimedia Commons
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, voltou a defender o uso do antigo sistema funicular de Paranapiacaba como solução para a ligação ferroviária entre a capital e a Baixada Santista.
A proposta foi reiterada durante visita às obras do Trem Intercidades (TIC) entre São Paulo e Campinas, na quarta-feira (8). Segundo o governador, a reativação do modelo histórico pode ser o caminho mais viável para vencer o trecho da Serra do Mar no projeto do TIC Eixo Sul.
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“Talvez o caminho mais viável seja a reativação do funicular, algo que ficou abandonado lá atrás”, afirmou.
Se adotada, a solução prevê que o trem utilize o traçado atual da Linha 10–Turquesa até Rio Grande da Serra. A partir desse ponto, seguiria até Paranapiacaba, onde faria a descida da serra por meio do sistema de planos inclinados.
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Este não é o único projeto para o Litoral de São Paulo. A ideia de ligar Santos novamente por ferrovia tem ganhado força no Governo de São Paulo e na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Segundo o Diário do Transporte, a empresa estuda um trem regional ligando a cidade litorânea a Cajati, no Vale do Ribeira, em um percurso de mais de 220 quilômetros.
Apesar da sinalização do governo, o projeto de usar o funicular de Paranapiacaba ainda está em fase de estudos (Marcos Antônio Lima/Wikimedia Commons)O sistema funicular é um tipo de transporte sobre trilhos usado em regiões íngremes. Ele funciona com dois veículos ligados por cabos: enquanto um sobe, o outro desce, atuando como contrapeso. Esse mecanismo reduz o esforço das máquinas e permite vencer grandes inclinações com segurança.
Na prática, é um modelo muito semelhante ao do Monte Serrat, em Santos, onde o bondinho também utiliza cabos para subir e descer o morro. A principal diferença está na escala: enquanto o sistema do Monte Serrat é voltado ao transporte turístico de passageiros, o funicular de Paranapiacaba foi projetado para trens de carga e longa distância.
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Implantado no século XIX pela São Paulo Railway, o sistema ferroviário funicular permitia que composições atravessassem a Serra do Mar por meio de planos inclinados e máquinas fixas. O modelo funcionava como um “elevador ferroviário”, com trens conectados por cabos de aço e movimentados por estações intermediárias.
Quem olha para as antigas estações ferroviárias espalhadas pelo interior e litoral de São Paulo costuma ver apenas relíquias de um passado glorioso. Mas, para o Governo do Estado, esses trilhos são o caminho para um novo "boom" econômico. Através do programa SP nos Trilhos, a meta é ambiciosa: tirar do papel mais de 40 projetos que unem transporte de massa e, principalmente, o chamado Turismo de Experiência.
Monte Serrat, em Santos, o bondinho também utiliza cabos para subir e descer o morro (Divulgação/PMS)O primeiro trecho, conhecido como “Serra Velha”, tinha cerca de 8 quilômetros. Com o aumento da demanda, foi construída a “Serra Nova”, inaugurada em 1900, com 10,5 km e maior capacidade operacional.
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O sistema foi desativado a partir da década de 1970, quando entrou em operação o modelo de cremalheira-aderência, hoje utilizado pela concessionária MRS Logística. Desde então, a estrutura original permanece abandonada.
Apesar da sinalização do governo, o projeto ainda está em fase de estudos. A Secretaria de Parcerias em Investimentos avalia alternativas como uma descida paralela à Rodovia dos Imigrantes ou um trajeto via Parelheiros até Itanhaém, consideradas mais complexas e caras.
O TIC Eixo Sul ainda não tem traçado definitivo. A previsão é de audiência pública em 2027, com leilão na sequência e assinatura de contrato a partir de 2028.
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A definição sobre o modelo de travessia da Serra do Mar — principal desafio técnico do projeto — será decisiva para a viabilidade da ligação ferroviária entre São Paulo e Santos.