Ultracargo admite que houve vazamento nos tanques 10 dias antes

Representantes da empresa participaram de plenária da CEV na Câmara de Cubatão. Gerente da Ultracargo diz que 400 mil litros vazaram antes, mas descarta relação com incêndio nos tanques

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15 MAI 201511h00

Os representantes da Ultracargo admitiram que houve um vazamento de combustível dez dias antes do incêndio de grandes proporções que atingiu seis tanques na unidade da Alemoa, em abril deste ano. A afirmação foi do gerente executivo da empresa, Fernando Coutinho, durante a última plenária da Comissão Especial de Vereadores (CEV) de Cubatão.

Segundo Coutinho, 400 mil litros de gasolina vazaram em uma área da empresa. “A ocorrência não extrapolou os limites da empresa e foi contida internamente. Por isso, não houve a necessidade de avisar a Cetesb sobre o vazamento. Não houve correlação entre o vazamento e o incêndio”, garante o gerente.

A comissão foi criada com a intenção de discutir as causas, consequências e soluções a serem tomadas em decorrência do incêndio. No entanto, as causas ainda não foram esclarecidas pela empresa. “Não temos uma conclusão da investigação. A área ainda está interditada pela Polícia Técnica. Só depois que a área for liberada é que poderemos averiguar as causas do incêndio”, comenta Coutinho.

Empresa ainda não sabe afirmar quais foram as causas do incêndio na Alemoa (Foto: Luana Fernandes/ DL)

O gerente da Ultracargo apresentou os detalhes do incêndio e disse que este foi o primeiro da empresa em grandes proporções em 48 anos de operações no Brasil, sendo 13 em Santos. “A empresa atuou imediatamente e seguiu os procedimentos que deveria”.

Os pescadores, representados na reunião pelas presidentes da Colônia de Pescadores José Bonifácio e da Associação de Pescadores de Cubatão, também aguardavam um resposta da empresa sobre os prejuízos causados à categoria por conta do acidente. Um mês após e nada foi feito. “A única coisa que os pescadores querem de volta é o mangue sem contaminação para poder trabalhar”, afirma a presidente da associação, Marli Vicente.

Até ontem, a empresa não tinha procurado as comunidades pesqueiras para tratar o assunto. “A empresa não vai se eximir de suas responsabilidades. Há um grupo de trabalho analisando as questões dos pescadores”, explica o gerente executivo da empresa. Ao final da reunião, um primeiro passo: os representantes da Ultracargo trocaram contatos com as representantes dos pescadores.

Insatisfeitos

O vereador Severino Tarcísio Dóda (PSB), presidente da comissão, não ficou satisfeito com as respostas da empresa. “Eles não responderam a maioria das questões e não deram as informações necessárias. Um mês se passou e nada foi feito pelos pescadores. Os vereadores irão se reunir para preparar o relatório e encaminharemos ao Ministério Público”, explica.

Incêndio

O incêndio na Ultracargo começou por volta das 10 horas do dia 2 de abril. Foram oito dias de trabalho para conter as chamas. O Corpo de Bombeiros utilizou bilhões de litros de água em mais 197 horas de incêndio. O acidente é o maior do País em uma área industrial e o segundo maior do gênero da história mundial.
O incêndio, além de provocar a morte de cerca de oito toneladas de peixes, sendo três toneladas só em Cubatão, também afetou o tráfego de caminhões, a atracação de navios no Porto de Santos e mudou a rotina de moradores da região.

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Veja vídeos do incêndio: 

Vídeo incêndio - Via Whatsapp / Vídeo Incêndio 2 - Via WhatsApp / Explosão nos tanques da empresa Ultracargo