Turistas reclamam de falta de limpeza nas praias de Peruíbe

Falta de acessibilidade e iluminação também foram citadas; Prefeitura não respondeu questionamentos

Basta dar poucos passos pela orla da Praia do Centro, em Peruíbe, para perceber inúmeros animais marinhos mortos. A falta de limpeza também é evidente e questionada pelos moradores e turistas que costumam visitar o município do Litoral Sul.

“Hoje ainda está melhor. Sempre passamos as folgas aqui e é nítida a falta de manutenção da praia, que é o principal atrativo da cidade”, desabafa Agathé Merlin, moradora de Guarulhos, na Grande São Paulo.

Outro aspecto bastante criticado foi a falta de iluminação, problema recorrente por toda a extensão de praias de Peruíbe. A reportagem do Diário do Litoral esteve na cidade na semana passada e constatou diversos problemas. No entanto, a Administração Municipal não respondeu os questionamentos ou deu qualquer tipo de retorno, o que deixou os munícipes sem resposta.

De acordo com o vendedor Bruno Aparecido, funcionário de um dos quiosques da praia, a falta e iluminação e policiamento são dois dos problemas mais críticos da orla. 

“Com o horário de verão conseguimos trabalhar até mais tarde, mas assim que o sol some precisamos fechar, pois fica muito perigoso”, ­afirma.

Ducha paga

Por toda a extensão da orla, a reportagem encontrou duchas higiênicas, no entanto, todas estão instaladas em quiosques, cobrando dos usuários preços que variam entre um e três reais.

A situação é alvo de queixas da munícipe Francileide Andrade. Moradora da cidade há três meses, ela também reclama da disposição dos chuveirinhos pela orla. “Poderia ser de forma diferente. Isso poderia ser fornecido de forma gratuita, pois criaria um atrativo a mais para quem vem até a praia. A sujeira também é um problema grave, pois não dá para deixar as crianças brincarem na areia”, comenta.

Apesar das queixas, de acordo com o levantamento de balneabilidade das praias publicado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) no último dia 9, entre os seis pontos analisados na cidade, apenas a praia de Icaraíba está imprópria para banho.

Sem acessibilidade, ambulante depende de ajuda para conseguir trabalhar

Aos 72 anos, o senhor Valdeti de Jesus percorre toda a orla de Peruíbe empurrando o seu equipamento de trabalho: um carrinho de sorvetes. Com idade avançada e precisando pagar as despesas da pequena casa onde mora, no jardim Caraguava, o trabalho debaixo do sol forte das 7h às 17h foi a única solução que encontrou. No entanto, um outro aspecto dificulta a vida do vendedor: a falta de acessibilidade nas praias de Peruíbe, que não possui rampas de acesso entre o calçadão e a areia da praia.

“Sempre preciso contar com a ajuda de alguém para conseguir descer meu carrinho até a areia. Quando a praia está vazia é bem difícil, pois preciso fazer força para descer sozinho e é justamente nessa hora que o carrinho está mais cheio”, desabafa o ­ambulante.

A reportagem encontrou o senhor Valdeti na Praia do Costão, localizada ao pé do morro da Juréia. Durante toda a extensão da praia, não há qualquer rampa de acesso. A situação se repete nas demais praias visitadas pelo Diário na cidade: Icaraíba, Balneário São João Batista, Avenida São João e Rua das Orquídeas.