Turistas e veranistas passam cada vez menos tempo em Guarujá

A Associação Comercial de Santos (ACEG) afirma que turistas e veranistas não passam mais o mês de janeiro inteiro na Cidade por falta de infraestrutura urbana e de uma política voltada ao turismo

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13 JAN 201300h38

Apesar de a rede hoteleira de Guarujá registrar 100% de ocupação no final do ano e ao longo de janeiro alcançar taxa de 90% nos finais de semana, para a Associação Comercial de Guarujá (Aceg), o movimento poderia ter sido ainda maior.

Segundo o presidente da Aceg, João Marcelo Stuque, a incidência de virose e dengue e falta de infraestrutura urbana em Guarujá vem reduzindo o tempo de permanência dos turistas e veranistas na Cidade há alguns anos.

Stuque esclarece que a temporada deste ano foi melhor do que a de janeiro de 2010 em termos de segurança e organização do tráfego. “A temporada de 2010 foi péssima, devido aos casos de dengue, virose, chuvas, a segurança chegou tarde (efetivo extra da Operação Verão). Já na temporada 2011 a infraestrutura deixou a desejar com falta de iluminação e buracos nas ruas. No entanto, a segurança foi excelente esse ano e o trânsito melhorou bastante”, ponderou Stuque.

“A virose e a dengue impactam na questão do turismo. A ocupação foi boa para os hotéis no feriado do aniversário de São Paulo, dia 25 de janeiro — 100%, mas hoje o turista só fica no Guarujá nos reveillon, feriado e finais de semana, nos dias de semana, os hotéis ficam vazios”, observou.

Stuque ressaltou ainda que o veranista de Guarujá também está descendo a serra somente nos feriados e finais de semana. “Antigamente, o veranista (visitante que tem residência na cidade) vinha antes do Natal e passava janeiro inteiro aqui. Guarujá não tem turista, tem veranista”.

Stuque destacou que Guarujá tem uma cadeia hoteleira que oferece 9 mil leitos, mas segundo ele, falta uma política para fomentar o turismo em Guarujá e manter os hotéis cheios o mês todo. “Falta uma política de turismo séria. A Secretaria de Turismo tem o menor orçamento. É preciso reconquistar esse público com praias e ruas mais iluminadas, mais segurança, mas o ano todo, não só na temporada”, afirmou o representante dos comerciantes de Guarujá.

A secretária de Turismo de Guarujá, Maria Eunice Ribeiro Leão Grötzinger rebate as observações de Stuque. Maria Eunice explicou que há sim uma política voltada ao fomento do turismo e que uma série de ações estão sendo desenvolvidas desde o ano passado.

A secretária afirmou que todos os projetos do plano para o turismo que anunciou em janeiro de 2010 estão sendo desenvolvidos. Paralelamente ao plano, Maria Eunice destacou a conquista do selo Bandeira Azul da Praia do Tombo, no final do ano passado. “Com este selo mostramos que podemos receber os turistas na Praia do Tombo com segurança. O selo projetou Guarujá na mídia nacional e internacional. Este foi um ponto importantíssimo para atrair turistas para o Guarujá”.

“Outras ações que estamos fazendo é a capacitação de monitores locais, capacitação de jovens com deficiência, melhoramos a qualidade dos eventos e realizamos o Festival de Inverno em julho e a Sinfonia na Praia na Semana da Pátria, trouxemos jornalistas peruanos, argentinos e chilenos para conhecerem e divulgarem Guarujá, estamos também divulgando Guarujá nas cidades do interior. Uma reportagem feita pelos jornalistas do Chile para a TV naquele país mostrou a boa gastronomia da Cidade”.

Projeto orla

Maria Eunice falou ainda sobre a preparação do projeto orla, que visa a reurbanização de toda a orla, mas ressaltou que as discussões, entre elas a retirada dos quiosques da faixa de areia, serão amadurecidas ao longo deste ano, afim de se chegar a um consenso com as partes interessadas para implementar as mudanças. ”Já foi realizada a primeira oficina de esclarecimento e outras duas devem acontecer até o final do ano”.

Eunice afirmou que ainda não se sabe se a retirada dos quiosques da faixa de areia para o calçadão implicará em redução dos estabelecimentos, isso dependerá da formatação final do projeto que será discutido também com os quiosqueiros.

“As ações estão sendo feitas com bastante cuidado para evitar um impacto social (para os quiosqueiros)”, afirmou Eunice explicando que a prefeita Maria Antonieta quer causar o menor impacto possível,sem prejudicar esses comerciantes e, por isso, não tem pressa para a retirada dos quiosques. “O primeiro passo são as oficinas de discussão, o segundo é conseguir a verba para realizar as ações”.

As obras só iniciarão depois que Prefeitura, quiosqueiros e demais interessados chegarem a um consenso.

Avaliação de Guarujá

Eunice disse que no ano passado, o Ministério do Turismo juntamente com a Fundação Getúlio Vargas, desenvolveu uma avaliação levantando os pontos positivos e os negativos de Guarujá. Segundo ela, foram ouvidos o setor hoteleiro, a Associação Comercial de Guarujá, setor imobiliário, engenheiros, etc.

O resultado da avaliação será apresentado e discutido em reunião que acontecerá em março da qual participarão secretários da Administração Municipal e os setores afins entrevistados pela FGV, conforme adiantou Eunice.

Após essa reunião, as partes interessadas juntamente com a Prefeitura definirão o que precisa realmente ser feito. Essas ações serão apresentadas em uma nova reunião, em abril pela Prefeitura ao Ministério do Turismo.

Eunice afirmou que após fechar o plano de ações, a Prefeitura poderá requerer verba do Ministério do Turismo para implementar as obras.

Trilhas

Eunice afirmou que já foram feitas obras de infraestrutura nas trilhas da Prainha Branca e no Rabo do Dragão, na Serra do Guararú. O próximo local será a trilha de Santa Cruz dos Navegantes. Além disso, monitores estão sendo capacitados. Esse projeto já estava previsto no plano apresentado em janeiro de 2010.

Turismo de Negócios

Outra ação anunciada em janeiro de 2010 era o desenvolvimento do turismo de negócios que, segundo Eunice, também está encaminhado. Em janeiro aconteceu a Feira Náutica.

Infraestrutura urbana

As observações do presidente da Aceg surpreenderam o secretário de Desenvolvimento e Gestão Urbana de Guarujá, Duino Verri Fernandes. “Não concordo com as observações do Stuque. Guarujá tem uma das melhores infraestruturas, comparando com as cidades do litoral norte, que mesmo assim, nunca deixam de receber turistas”, afirmou Duino.

O secretário rebateu às críticas apontando uma série de obras que estão sendo realizadas e outras que iniciarão em aproximadamente dois meses. Cerca de 35 intervenções urbanas aguardam apenas a conclusão do processo licitatório, segundo Duino.

“Estamos recuperando toda a malha rodoviária do Município. Nós temos R$ 11 milhões do DADE (Fundo do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias) só para obras de reurbanização. Vamos reurbanizar e ampliar a iluminação na avenida Mário Daige, Praia da Enseada, Praia de Pernamburco e Praia de Pitangueiras, que já estamos reformando, Avenida Adhemar de Barros. R$ 6 milhões são só para a Enseada”, afirmou esclarecendo que todos esses locais receberão pavimentação e iluminação.

“O Município é carente de zeladoria: capinação, limpeza de bueiros, buracos de chuva, buracos da Sabesp, mas estamos contratando pessoal para estes serviços porque não estamos dando conta”.

Placas de orientação

Perguntado sobre se o Município tem um plano de sinalização e emplacamento dos nomes de ruas e pontos turísticos da Cidade, Duino afirmou que já foi feito o projeto de sinalizar primeiramente todas as vias principais no ano passado, mas acredita que na próxima temporada a Cidade já estará toda sinalizada e emplacada”, afirmou Duino explicando que este assunto não compete mais a sua secretaria, embora tenha desenvolvido o projeto. A falta de placas de orientação e de trânsito é um dos principais problemas em Guarujá.