Cotidiano

Tubarão no Guarujá: especialista da Unesp explica se animal oferece risco a banhistas

Drones e câmeras facilitam registros no Guarujá; litoral paulista serve de abrigo para reprodução de espécies ameaçadas

Luna Almeida

Publicado em 15/04/2026 às 23:13

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A presença desses animais perto da orla é um comportamento biológico esperado / Reprodução/Redes Sociais

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O recente avistamento de um tubarão de grande porte no Guarujá, que ganhou destaque em vídeos nas redes sociais, não deve ser motivo de alarme para quem frequenta as praias da região. 

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De acordo com Otto Bismarck Fazzano Gadig, pesquisador e professor da Unesp, as imagens indicam que se trata de um tubarão-martelo, espécie que pode chegar a três metros de comprimento e que utiliza o litoral paulista como berçário natural durante o verão e o início do outono.

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A presença desses animais perto da orla é um comportamento biológico esperado, já que as águas costeiras oferecem fartura de alimento e abrigo contra predadores para os filhotes recém-nascidos. 

Segundo o especialista, o aumento de relatos não significa que existam mais tubarões no mar, mas sim que a tecnologia atual, com o uso de drones e câmeras de alta resolução em celulares, permite que o que sempre aconteceu de forma silenciosa agora seja registrado e compartilhado rapidamente.

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Diferenças entre São Paulo e Recife

O professor Gadig ressalta que o cenário de São Paulo é completamente distinto do observado em Recife, onde o histórico de incidentes é frequente devido a fatores ambientais específicos. 

No litoral paulista, os avistamentos são comuns e os raros encontros que resultam em algum contato físico geralmente envolvem animais de pequeno porte e não apresentam gravidade. 

Para o pesquisador, o risco teórico existe, mas a probabilidade de um acidente é mínima, comparando a situação ao encontro com um cão de grande porte desconhecido: requer atenção, mas raramente resulta em agressividade.

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A orientação para a população é manter a calma e a vigilância natural, sem a necessidade de alertas oficiais ou interdição de praias. 

Os guarda-vidas já possuem treinamento para monitorar a fauna marinha e estão preparados para orientar os banhistas caso o animal se aproxime excessivamente das áreas de nado. 

No entanto, medidas adicionais de restrição são consideradas desnecessárias pelo especialista.

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Ameaça à conservação da espécie

Um ponto de preocupação levantado pelo pesquisador é a segurança do próprio animal. O tubarão-martelo é uma espécie que sofre com o risco de extinção, e sua vinda para águas rasas o expõe a perigos causados pela atividade humana. 

O maior risco para esses indivíduos no litoral paulista não é o contato com banhistas, mas sim a possibilidade de ficarem presos em redes de pesca artesanal ou industrial, o que compromete os esforços de conservação da biodiversidade marinha.

A recomendação para quem avistar o animal é manter uma distância segura e apenas observar. 

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A presença desses predadores no topo da cadeia alimentar é um indicador positivo da saúde do ecossistema marinho local. 

Respeitar o espaço do animal durante esse período reprodutivo é essencial tanto para a segurança das pessoas quanto para a preservação de uma espécie vital para o equilíbrio dos oceanos.

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