Trupe leva alegria aos pacientes do Irmã Dulce em Praia Grande

Inspirados pelos 'Doutores da Alegria' adolescentes da Ordem Internacional do Arco-íris para Meninas levam alegria aos pacientes do Irmã Dulce.

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27 DEZ 201215h00

Inspiradas pelo projeto Médicos da Alegria, desenvolvido por graduandos da Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp, adolescentes da Ordem Internacional do Arco-íris para Meninas desejam realizar ação semelhante no Complexo de Saúde Irmã Dulce de Praia Grande. Repetindo o êxito da primeira apresentação (ocorrida em outubro, no Dia das Crianças), o grupo visitou pacientes no último dia 21 por ocasião do Natal, sendo acompanhado por integrantes da Comissão de Humanização do complexo.

Coordenando o grupo, o presidente do Conselho Consultivo da ordem, Luiz Carlos Marono, explicou que a proposta seria desenvolver atividades de bem-estar, como contação de histórias e dobraduras pelas adolescentes, vestidas com cores alegres e ostentando nariz de palhaço, junto aos pacientes. Embora compartilhe o objetivo de promover bem-estar, essa atuação se difere das dos “clowns”, termo que designa palhaços, que exige treinamento específico.

O grupo visitou pacientes no último dia 21 por ocasião do Natal, sendo acompanhado por integrantes da Comissão de Humanização. (Foto: Maitê Morelatto/ Divulgação)

O projeto deverá ser apresentado formalmente à Diretoria Técnica/Clínica, por meio da Comissão de Humanização, para avaliação e viabilidade. Assim como voluntários do Grupo Feliz que atuam nas alas, os participantes passarão por palestras técnicas ministradas pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), entre outros.

Em fase de formação, após passar por uma capacitação inicial pelo projeto Médicos da Alegria, o grupo ainda não escolheu nome, mas já tem claro o que quer alcançar. “Queremos levar alegria aos pacientes, oferecer carinho, uma conversa. Para as meninas, é cumprir um papel importante. Da primeira vez que visitaram o Irmã Dulce, algumas saíram chorando porque a emoção é muito grande”, pontua Marono.

De jaleco branco, estetoscópio e nariz vermelho, Marono brincou com as crianças na Brinquedoteca da Pediatria e com adultos nas Clínicas Médica e Cirúrgica. Distribuiu pirulitos aos funcionários do hospital. “A receptividade foi muito positiva”, avaliou.

Tsurus

Descendentes de japoneses, a paciente Kiyoko Kohatu, internada na Clínica Cirúrgica, se surpreendeu com a visita das adolescentes e mais ainda quando foi presenteada com um origami de tsuru, dobradura do pássaro sagrado do Japão símbolo de longevidade e felicidade. “Quem fez o tsuru?”, perguntou, segurando, curiosa, o pássaro de papel.

Em resposta, as jovens contaram uma lenda que dona Kiyoko não conhecia. A Lenda dos Mil Tsurus. Conta-se que uma menina que sobreviveu à bomba de Hiroshima aos 2 anos de idade recebeu o diagnóstico de leucemia, doença que afetou outras vítimas da bomba, dez anos depois. Uma amiga foi visitá-la no hospital e a presenteou com um origami de tsuru, contando a lenda de que a pessoa que fizesse mil deles pensando num desejo conseguiria realizá-lo. A menina começou então a fazê-los em seu leito hospitalar, mas, cada vez mais debilitada, morreu antes de completar o milésimo tsuru, conseguindo fazer 644 deles. Seus amigos então resolveram dobrar os origamis restantes até chegar a mil, desejando a paz mundial que evitaria mais guerras.   

No Irmã Dulce, a história contada pelas meninas da Ordem Arco-íris levou alegria e paz para dona Kiyoko, que conseguiu sorrir, como os adultos e crianças internados que receberam essa visita tão especial de Natal. E que os tsurus se multipliquem.