Travessia entre Santos e Guarujá conta com 32 motores de balsas em situação crítica

São 25% dos motores das embarcações que fazem as travessias litorâneas; Dersa diz que empresa vai comprar novos motores até o fim de janeiro

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14 DEZ 2018Por Carlos Ratton08h00
Segundo o diretor da Dersa, os motores levam, em média, duas horas para serem substituídosFoto: Nair Bueno/DL

Turistas e trabalhadores que utilizam o sistema de travessias entre Santos e Guarujá que se preparem. Na véspera da temporada de verão e com previsão de que quase 5,5 milhões de usuários estarão entre dezembro e março do ano que vem na região, só 25% dos motores das balsas estão bons. A informação é do próprio diretor de Operações da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), Eduardo Di Gregório.

Em números exatos, são 17 motores bons, 19 em estado de atenção e 32 em situação crítica. Há motores cujo ano de fabricação é 1988. Sete balsas operam o sistema Santos/Guarujá (uma oitava fica de reserva) e duas Guarujá/Bertioga. Essa última travessia está operando com apenas uma embarcação e a previsão é que o serviço se normalize neste sábado (15).

Di Gregório esteve ontem, na Câmara de Santos, participando da audiência pública da Frente Parlamentar de Regulamentação do Transporte Hidroviário por Meio do Serviço de Balsas do Estado de São Paulo, sob a liderança do deputado estadual Paulo Corrêa Júnior (Patriota). Ele disse que a questão me motorização das embarcações é prioridade. Para isso, há previsão de compra de 32 motores novos, com investimento de R$ 10 milhões. “A licitação já foi iniciada hoje e, até o final de janeiro, acredito que os motores já comecem a ser instalados”, afirma, revelando que a prioridade será para embarcações que operam nas travessias Santos/Guarujá e São Sebastião/Ilhabela.     

O diretor de Operações disse que, em média, um motor leva duas horas para ser trocado, mas isso só ocorre em situações consideradas graves. Na travessia Santos/Guarujá, cinco balsas possuem quatro motores cada e três embarcações funcionam com dois motores cada. A Dersa pretende substituir 95 motores.

Investimento

Di Gregório ainda anunciou investimentos de R$ 54,3 milhões pelo Estado para o ano que vem, envolvendo também compra de novos flutuantes, reforma de terminais e estaleiros de Guarujá e Vicente de Carvalho, além de unidades de passageiros e compra de peças de reposição. No entanto, disse que não há previsão de aumento de embarcações em operação para a temporada 2018/19.     

O sistema da Dersa engloba oito travessias, com uma frota atual de 34 embarcações, entre lanchas e ferryboats, a capacidade operacional chega aos 2.400 veículos por hora em cada sentido.

Ao todo recebe diariamente uma média de 22 mil pedestres, 22 mil veículos, 10 mil bicicletas e 9 mil motos. Em valores, a empresa fatura, só em relação a veículos na travessia Santos/Guarujá, cerca de R$ 106,5 mil por dia.  A Dersa é uma sociedade de economia mista, controlada pelo Governo de São Paulo.

Tudo errado

O diretor-presidente da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano SA (Emplasa), Marcelo Martins de Oliveira, disse no encontro que o sistema não condiz com a eficiência, rapidez e segurança que a Dersa propaga em seu site e o que preconiza a legislação. “Quando você se depara com a norma e com o serviço prestado, percebe que existe um descompasso total. O serviço não é adequado, eficiente, não se mede as tarifas e as situações que surgem. É preciso cumprir as normas”, afirma.

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