Transporte coletivo modelo

Usuários entrevistados pelo DL aprovam o serviço; hoje as linhas atendem praticamente todas as regiões da Cidade e os ônibus tem cobradoras

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13 JAN 201321h17

Ônibus para todas as regiões da cidade e sem demora. Para quem tem pressa e não tem carro um transporte coletivo de qualidade é um aliado. Dando continuidade a série de reportagens sobre a qualidade do transporte coletivo na Baixada Santista, o DL entrevistou moradores de Cubatão. Eles aprovam o serviço prestado. A satisfação resulta das mudanças implementadas no sistema de transporte coletivo da Cidade, nos últimos dois anos.

“Lá na Cota a gente espera uns cinco minutos até o ônibus chegar, no máximo dez”, afirmou satisfeita a ex-auxiliar de serviços gerais, Mariana de Paula Santos, que mora na Cota 95 há 34 anos, comparando o serviço com uma época quando as linhas para a região eram escassas. “Eu venho de uma piora para uma melhora.

Quando me mudei pra Cota tinha apenas dois ônibus. Agora tem as lotações também. Então eu não reclamo da minha Cota em nada. Dali eu só quero sair mesmo quando eu morrer. Gosto da Cota e gosto de Cubatão”. Mariana utiliza as linhas que fazem o itinerário Cota 200 e Cota 400, além do transporte alternativo.

Mariana aguardava seu ônibus na Avenida Nove de Abril, no Centro. O ponto estava lotado, mas por pouco tempo, os ônibus enfileiravam e logo o ponto esvaziava. Novos coletivos e alternativos bem conservados encostavam. A estagiária de psicologia Mariana Martinez mal pôde conversar com a reportagem. “Gente, desculpa, meu ônibus chegou”. 

Para a ajudante de cozinha Maria Pastora, que utiliza os coletivos todos os dias, o transporte público de Cubatão é “nota 10”. Moradora do bairro Costa e Silva, ela afirmou que não tem dificuldade para tomar ônibus. “O transporte está ótimo”.

Entre 18 mil a 20 mil pessoas utilizam diariamente o transporte coletivo, em Cubatão. São aproximadamente 500 mil passageiros por mês, segundo informações da Companhia Municipal de Trânsito (CMT).

Mas, segundo a assessora jurídica da CMT de Cubatão, Renata Almeida dos Santos, o transporte coletivo hoje operado pela companhia Trans Líder, atende a demanda de passageiros, pois a empresa vem cumprindo todas as exigências do contrato firmado no ano passado. A Trans Líder foi a empresa vencedora da licitação e opera uma frota de 54 veículos distribuídos em 14 linhas municipais.

Trinta desses ônibus possuem equipamentos de acessibilidade para atender os portadores de necessidades especiais. Mas a meta, de acordo com Renata, é que toda a frota de coletivos e também de ônibus alternativos estejam adaptados para acessibilidade até 2014.

De acordo com Renata, as 14 linhas atendem todas as regiões de Cubatão, principalmente os núcleos mais afastados. A assessora jurídica disse também que está em estudos a extensão de itinerário para o bairro Mantiqueira, reivindicada pelos moradores locais.

“Uma das preocupações da Administração era ampliar os veículos e os itinerários para as áreas aonde os ônibus não chegavam”, afirmou. Renata afirmou que a volta da função de cobrador foi outro fator determinante para a qualidade do transporte na Cidade. “A volta dos cobradores teve como intuito retomar a humanização dos serviços”, destacou Renata.

Renata explicou que o sistema de transporte coletivo municipal continua sendo reestruturado. Segundo ela, a atual Administração, por meio da CMT, mantém um canal aberto tanto com a concessionária Trans Líder quanto com a população. A Trans Líder envia relatório mensal do serviço prestado à CMT, com número de passageiros transportados, etc. E a CMT analisa todas as sugestões e reclamações dos usuários do transporte coletivo para melhor atendê-los.

A primeira mudança significativa no sistema de transporte coletivo em Cubatão foi a substituição da empresa concessionária, em 2009. A iniciativa da prefeita Márcia Rosa foi considerada ousada e corajosa na época porque ela tirava de circulação, literalmente, a Viação Piracicabana, que até então, era vista como “intocável”. Hoje, a Viação Piracicabana tem concessão do transporte coletivo de Santos e Praia Grande. A mudança deu-se devido à má prestação do serviço e constantes reclamações dos usuários.

Renata afirmou que a Piracicabana prestava um serviço bastante precário, com uma frota de aproximadamente 30 ônibus para 14 linhas, sendo apenas um veículo adaptado para passageiros com necessidades especiais. A empresa trabalhava no limite. Então a atual Administração empreendeu esforços para implementar as mudanças”, afirmou Renata.

A Viação Bom Jesus assumiu a concessão do transporte coletivo municipal em caráter emergencial em 2009 e foi substituída pela Trans Líder, vencedora da licitação em 2010.

A segunda grande mudança foi a volta da função de cobrador. Mais uma vez a prefeita subia no conceito da população contratando 100 cobradoras de ônibus. Com isso, os motoristas deixavam de acumular a função de cobrar a passagem e a força de trabalho feminina ganhava mais espaço no mercado profissional. Cubatão é o único Município da Baixada onde os ônibus circulam com motorista e cobrador, por isso o transporte coletivo é considerado modelo.

Renata observou que com a volta das cobradoras, os motoristas ganharam tempo nas viagens, por isso, os ônibus não atrasam. “Melhorou sem dúvida porque o motorista dirigir e cobrar arrisca a vida dele e a dos passageiros. É acúmulo de função e tira o ganha pão dos cobradores. As cobradoras voltaram. Então é 10 (nota) para as cobradoras, 10 para os motoristas, 10 para a empresa e 10 para nós, né?”, afirmou sorrindo, Mariana, a moradora da Cota 95.

Para Mariana o valor da tarifa de R$ 2 justifica o conforto do serviço prestado. “Se fosse mais barato era melhor, mas se baratear vai tirar os cobradores, então não tenho do que reclamar”.

A auxiliar de cozinha Maria também elogiou a presença das cobradoras nos ônibus. “Usar o cartão é bom, mas com a cobradora é melhor ainda porque dá mais segurança e, além disso, é mais uma pessoa trabalhando”. Maria também utiliza com freqüência a linha intermunicipal 917. A passagem custa R$ 2,90, mas ela não se queixa desse serviço.

Tarifa integrada

A mudança na integração das linhas municipais permitindo ao passageiro utilizar mais de um ônibus pagando apenas uma passagem foi outra melhoria significativa no sistema de transporte municipal. O sistema de integração foi transferido da Rodoviária, que é um local afastado, para a Avenida Nove de Abril, no centro, onde a pessoa tem a oportunidade de resolver qualquer pendência, uma vez que o bilhete de integração tem validade de até 1 hora.

Tarifa

A tarifa é R$ 2. O último reajuste ocorreu em 2008 por exigência da Viação Piracicabana, que era a concessionária na época. Apesar das melhorias no serviço com ampliação da frota de ônibus e contratação de cobradoras pela Trans Líder, a assessora jurídica da CMT descartou novo reajuste da tarifa.

Transporte Alternativo

O transporte alternativo que opera seis linhas também é considerado satisfatório pelos usuários do Município. Renata explicou que as chamadas lotações são operadas por permissionários e que atendem apenas algumas regiões, ao contrário dos coletivos municipais que circulam por toda a Cidade. A tarifa do transporte alternativo é R$ 1,90 e a qualidade não perde em nada para os coletivos, segundo os passageiros ouvidos pelo DL.

Concessão da Trans Líder

O contrato da Trans Líder é de dez anos, prorrogáveis por mais cinco anos.