Trajeto do VLT já apresenta sinais de depredação

Algumas partes do gradil branco que demarca as áreas onde a passagem de pedestres é autorizada foram arrancadas

Quem passa no entorno ou utiliza o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) já deve ter observado a existência de um gradil branco que demarca a área onde a passagem de pedestres é autorizada.  Porém, com um pouco mais de observação, nota-se também que alguns ­trechos já sofreram com a ­depredação e tiveram as grades arrancadas­. A Reportagem percorreu todo o trecho realizado pelo VLT ao longo das estações Porto/Barreiros. O primeiro ponto verificado sem uma parte da grade fica em frente ao número 147 da Avenida Francisco Glicério.

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“A população começou a usar esse atalho para cortar caminho para ir e voltar da feira. O que me chamou atenção é que se trata de um comportamento extremamente perigoso, pois as pessoas estão disputando o espaço com os trens do VLT e não tem ninguém do poder público cuidando daquilo”, diz o munícipe Márcio Calafiori.

Aos domingos, a Avenida recebe a feira livre, por isso o movimento de transeuntes que atravessam de um lado para o outro utilizando acessos não autorizados é maior. O gradil, principalmente nesses casos, evita que as pessoas utilizem espaços próximos ao trem que ofereçam riscos.

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Em São Vicente, na ciclovia localizada na Avenida Marechal Deodoro, pelo menos cinco partes da grade foram arrancadas. Mais a frente, embaixo do ­pontilhão da Avenida Antonio Emmerich, há mais sinais de depredação­.

Na Avenida Martins Fontes, a grade também foi retirada e o espaço vazio serve de passagem para quem quer pegar a ciclovia fora do acesso demarcado. Mas, o local verificado com maior número de grades faltantes foi entre as estações Mascarenhas de Moraes e Barreiros. Entre elas há pelo menos oito pontos sem grades.

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Insegurança

Se a depredação oferece riscos a própria população, a falta de estrutura para que os funcionários do VLT possam trabalhar com mais segurança também preocupa.

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A situação já foi relatada pelo Diário do Litoral, em junho deste ano, mas nada foi feito. Os problemas vão desde a falta de banheiros para os agentes de estação até a ausência de ­guichês blindados para a venda das passagens­.

Agentes, que preferiram não se identificar, disseram que a empresa fez uma reunião e informou que o projeto não contempla banheiro, por isso, quando há necessidade, eles ligam para um funcionário que vem até a estação para cobrir o período da ausência.  O mesmo procedimento é adotado em relação a retirada do dinheiro das ­passagens.

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Cancelas

Rafael Alves Pedrosa, especialista em transportes e professor universitário, afirma que há erros no projeto do VLT quando se pensa na prevenção de ­acidentes.  

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“Atualmente, não há nada que impeça um veículo de passar por um sinal vermelho em um cruzamento e bater no vagão do VLT. Por isso a implantação das cancelas nesses locais aliada a sinalização sonora precisaria ter sido pensada”, explica o especialista.

Outra falha apontada por Rafael é que o espaço determinado para os pedestres quando precisam esperar para atravessar a rua em ­cruzamentos é muito estreito e oferece risco de atropelamento, tanto pelas bicicletas da ciclovia quanto pelo trem.

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“O modal é novo e as pessoas ainda estão se acostumando. É importante a divulgação de campanhas de conscientização e principalmente um treinamento envolvendo todos os órgãos especializados para lidar com emergências para que saibam como agir, caso um acidente grave aconteça”, ­explica.

EMTU

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A BR Mobilidade Baixada Santista informou por meio de nota que possui agentes de controle especializados para detectar inconformidades nos trilhos e arredores do VLT e mantém desta forma uma fiscalização assídua para manutenção e reposição dos gradis regularmente.

“Ressaltamos que é de extrema importância a colaboração de todos, uma vez que são registrados casos de furto das peças do gradil e vandalismos”, diz um trecho.

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Em relação às cancelas, a empresa afirma que o VLT não deve ser comparado ao antigo trem que atravessava o município de Santos e que utilizava o sistema de cancelas nos ­cruzamentos.

“Assim como em diversas cidades do mundo por onde circula, o VLT integra-se às ­características urbanas locais e ao projeto paisagístico de seu entorno”, ­justifica.

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Também informa que a sinalização e a segurança para pedestres e veículos vêm sendo implantada nos cruzamentos ao longo do trecho Barreiros-Porto e que a população da Baixada vai se habituar ao novo modal com o auxílio de ações permanentes colocadas em prática pelo Consórcio BR ­Mobilidade, como já vem ocorrendo por meio de representações teatrais, faixas e ­distribuição de folhetos nos pontos com maior incidência de ocorrências­.

Quanto às melhorias para os agentes de estação, disse que a exemplo dos sistemas de VLT implantados ao redor do mundo, banheiro público não foi previsto no projeto das ­estações do VLT por se tratarem de locais de rápida circulação de usuários­.

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“Em caso de necessidade, os funcionários podem utilizar os sanitários de estabelecimentos credenciados pelo Consórcio BR Mobilidade ao longo do trecho Barreiros-Porto”, explicou.

A empresa não se manifestou em relação à instalação de guichês blindados para a venda de passagens. 

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Banha ameaça ação por segurança no VLT

O vereador Antônio Carlos Banha Joaquim disse no mês passado que pretende ingressar com uma ação civil pública contra a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos e a Secretaria de Transportes do Estado de São Paulo caso a empresa não reveja o sistema de segurança e o conforto dos funcionários e usuários do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT).

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Ele ainda denuncia que a EMTU anunciou o fim da primeira fase do modal, mas ainda faltam inúmeras obras relacionadas ao paisagismo, iluminação e segurança.

“Há uma total falta de respeito com a população da Baixada, principalmente de Santos e São Vicente. É inconcebível que se gastou milhões com a implantação do transporte e não se pensou na colocação de banheiros e guichês para venda de passagens. As funcionárias são obrigadas a guardar o dinheiro no bolso e viver sob risco de assaltos”, dispara o parlamentar santista. Situação que de fato aconteceu, no último dia 19, quando uma funcionária da BR Mobilidade, de 19 anos, foi assaltada à mão armada dentro da estação Barreiros, em São Vicente, enquanto vendia os bilhetes.

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Um ano

Em julho do ano passado, o vereador já havia questionado o projeto através de uma representação no Ministério Público (MP) onde pedia a suspensão da circulação do VLT em Santos até que fossem adotadas, por parte da empresa, medidas de segurança para evitar acidentes envolvendo as pessoas que cruzam os trilhos.