Cotidiano

TikTok é vendido nos Estados Unidos, entenda o impacto para os brasileiros

Negócio bilionário transfere controle do app nos EUA para aliados de Trump enquanto a ByteDance acelera investimento de 200 bilhões de reais em data center no Brasil

Nathalia Alves

Publicado em 20/01/2026 às 16:30

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Venda forçada da plataforma por 14 bilhões de dólares gera dúvidas sobre o futuro do algoritmo mas empresa garante que operação brasileira segue independente. / Reprodução/Freepik

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O governo dos Estados Unidos concluiu nesta quinta-feira (22) uma das maiores operações geopolíticas da era digital, a venda forçada do controle da operação americana do TikTok, plataforma de vídeos curtos de propriedade da chinesa ByteDance.

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O negócio, estimado em US$ 14 bilhões, transfere o poder decisório e o controle de dados para um consórcio alinhado ao governo Trump, cumprindo uma promessa recorrente do ex-presidente.

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A aquisição foi conduzida sob a justificativa de segurança nacional, com o argumento de que uma plataforma chinesa com 170 milhões de usuários americanos representava um risco.

O consórcio comprador é formado pelo fundo soberano MGX, ligado à família real dos Emirados Árabes Unidos, e pela empresa de tecnologia americana Oracle, que ficará responsável pelo gerenciamento e armazenamento dos dados. A ByteDance manterá uma participação minoritária de 20%.

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Um paradoxo regulatório

A especialista em regulação e desinformação Andressa Michelotti, pesquisadora da UFMG e da Universidade de Utrecht, avalia a movimentação como paradoxal.

“Os EUA, sob um discurso neoliberal, usam a segurança nacional para controlar os dados de sua população. Isso afeta tanto o livre mercado quanto a liberdade de expressão”, afirmou.

O caso ignora os apelos da ByteDance, que alega operar com transparência e independência do governo chinês, com 60% de seu capital em mãos de fundos internacionais como BlackRock e General Atlantic.

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A personificação do alinhamento entre poder político e econômico aparece na figura de Larry Ellison, cofundador da Oracle e próximo de Trump, descrito como um "brolygarch" – termo para bilionários que atuam como parceiros de governantes.

A estratégia lembra a aproximação de Trump com outros magnatas da tech, como Elon Musk e Mark Zuckerberg.

O que muda para o usuário? 

A transição gera mais perguntas que respostas. Especialistas questionam se haverá apenas uma troca de servidores ou uma reformulação completa do aplicativo, com impactos na interface, funcionalidades e no algoritmo – um processo similar ao que transformou o Twitter em X sob Musk.

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“Como esse TikTok se desmembra nos EUA? Vira uma plataforma à parte? Como será a transição dos dados?”, questiona Michelotti. Uma das possibilidades é a "balcanização" da plataforma, com versões isoladas por país, o que afetaria a circulação global de conteúdo e a moderação.

A mudança também traz dúvidas sobre políticas de conteúdo. A plataforma já anunciou que, na Europa, implementará na próxima semana uma moderação reforçada para menores de 13 anos, incluindo banimento após revisão humana de posts considerados abusivos. Não está claro se essa política será estendida à nova operação americana.

E o Brasil?

A ByteDance afirmou que a venda “não impacta a experiência no Brasil”, onde a plataforma segue em expansão. Na última semana, começaram as obras do que será o maior data center da América Latina, em Caucaia (CE), um investimento de cerca de R$ 200 bilhões.

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Para Rafael Evangelista, professor da Unicamp e conselheiro do CGI.br, o caso é uma lição para o debate regulatório brasileiro.

“Evidencia que plataformas com papel central no debate público são relevantes demais para funcionarem apenas sob a lógica do mercado. Onde essas empresas estão sediadas e a quem respondem são fatores cruciais”, avalia.

Ele cita as revelações de Edward Snowden em 2013, que mostraram a cooperação entre redes sociais e o Estado americano para espionagem global.

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No Congresso brasileiro, aguarda-se a votação do Projeto de Lei de Concorrência Digital (PL 4675/2025), que propõe maior poder de regulação para o Cade.

Enquanto isso, a aquisição do TikTok nos EUA se consolida não apenas como um mega negócio, mas como um marco na disputa pela soberania digital e no controle da infraestrutura que molda a opinião pública mundial.

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