Cotidiano

Terra dos anões: cidade brasileira ficou famosa no mundo por fenômeno genético raro

Localizada no povoado de Carretéis, a origem desse fenômeno está ligada à chamada Deficiência Isolada do Hormônio do Crescimento, uma mutação hereditária que impede a produção do hormônio responsável pelo crescimento

Ana Clara Durazzo

Publicado em 16/03/2026 às 15:15

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A cidade de Itabaianinha ficou conhecida como a 'Cidade dos Anões', devido à grande concentração de moradores com nanismo, resultado de uma condição genética rara que marcou a história local / Reprodução/Youtube

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Um pequeno município do interior de Sergipe ganhou projeção internacional por uma característica incomum. A cidade de Itabaianinha ficou conhecida como a 'Cidade dos Anões', devido à grande concentração de moradores com nanismo, resultado de uma condição genética rara que marcou a história local.

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Localizada no povoado de Carretéis, na zona rural do município, a origem desse fenômeno está ligada à chamada Deficiência Isolada do Hormônio do Crescimento (DIGH), uma mutação hereditária que impede a produção do hormônio responsável pelo crescimento.

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Uma condição genética rara

Diferentemente de outras formas de nanismo, a DIGH provoca baixa estatura com proporções corporais consideradas normais, geralmente entre 105 e 135 centímetros de altura.

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Pesquisas indicam que, em determinado período, a incidência da condição no povoado chegou a 1 caso para cada 32 habitantes, um número muito superior à média mundial.

Ao longo de cerca de oito gerações, estima-se que mais de 130 pessoas tenham sido afetadas, tornando Itabaianinha um caso singular estudado por cientistas e especialistas em genética.

Cidade ganhou repercussão internacional

A singularidade genética da comunidade chamou atenção da imprensa a partir das décadas de 1980 e 1990. Reportagens e documentários internacionais ajudaram a colocar o município no mapa mundial.

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Um dos exemplos foi uma reportagem da CNN exibida em 1993, que apresentou a história da população local.

O visitante italiano Marco Sanvoisin chegou a descrever os moradores como 'criaturas doces e diferentes, que parecem ter saído de um livro de fadas'.

A repercussão também alcançou a cultura popular brasileira, como na música Sou de Itabaianinha, que homenageia os habitantes da cidade.

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Histórias de superação

Apesar dos desafios, muitos moradores com nanismo sempre buscaram uma vida ativa na comunidade. Entre as atividades desempenhadas estão profissões como professores, artesãos, comerciantes e feirantes, além da participação em eventos esportivos.

Um dos símbolos dessa trajetória é Dona Pureza, considerada a primeira mulher com nanismo da cidade a se casar com um homem de estatura média, algo que marcou a história local.

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Transformações nas últimas décadas

Nos últimos anos, porém, a realidade da cidade começou a mudar. O avanço de tratamentos médicos com hormônio do crescimento, aliado a políticas públicas de saúde e mudanças culturais, reduziu o número de novos casos.

Com diagnóstico precoce e acesso a terapias, muitas crianças passaram a crescer com estatura dentro da média, transformando gradualmente o perfil demográfico da comunidade.

Preservação da memória

Mesmo com essas mudanças, iniciativas surgiram para preservar a história dos moradores com nanismo em Itabaianinha.

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Entre elas está o Projeto de Lei nº 02/2020, apresentado pela vereadora Lêda Maria Dantas, que busca reconhecer oficialmente a importância histórica e cultural dessa comunidade.

Pesquisas acadêmicas, como a monografia do pesquisador Cleiton dos Santos, também ajudam a registrar a trajetória da cidade.

Desafios ainda existem

Apesar do reconhecimento, moradores com nanismo ainda enfrentam dificuldades relacionadas à inclusão no mercado de trabalho, acessibilidade e políticas públicas específicas.

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'Nós deveríamos ser mais lembrados pelas autoridades, principalmente quando se trata de emprego', afirma Clécio, morador da cidade.

Um legado que inspira

A história de Itabaianinha se tornou um exemplo de resiliência e identidade coletiva. Mesmo com as mudanças demográficas, o legado da comunidade permanece como símbolo de superação.

Mais do que um fenômeno genético, a cidade representa uma narrativa marcada pela união e pela força de seus moradores — mostrando que grandeza não se mede em centímetros, mas em histórias de vida.

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