Cotidiano
Localizada na região dos Campos Gerais, Tibagi deixou de ser apenas uma cidade tranquila para se tornar uma engrenagem essencial no abastecimento do Brasil
Em 2020, o municÃpio produziu cerca de 111 mil toneladas de trigo, consolidando-se entre os maiores produtores do paÃs / Pexels
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Com pouco mais de 20 mil habitantes, uma joia do interior do Paraná se transformou em referência nacional e conquistou o tÃtulo de 'Capital do Trigo'. Localizada na região dos Campos Gerais, Tibagi deixou de ser apenas uma cidade tranquila para se tornar uma engrenagem essencial no abastecimento do Brasil. O que chama atenção é o contraste: pequena no tamanho, mas gigante na produção — e cada vez mais estratégica no agronegócio nacional.
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Os números ajudam a explicar esse protagonismo. Em 2020, o municÃpio produziu cerca de 111 mil toneladas de trigo, consolidando-se entre os maiores produtores do paÃs. A área plantada gira em torno de 30 mil hectares, e esse volume representa mais de 15% de toda a produção do Paraná.
O crescimento também chama atenção: em safras mais recentes, Tibagi já ultrapassou a marca de 100 mil toneladas e chegou a atingir aproximadamente 138 mil toneladas, figurando entre os lÃderes nacionais. Com isso, a cidade passou a ser frequentemente apontada como a maior produtora de trigo do Brasil.
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Esse desempenho está diretamente ligado à força do Paraná no cenário agrÃcola. O estado é o principal produtor de trigo do paÃs e, em determinados anos, chega a responder por mais de 70% de toda a produção nacional. Ao lado do Rio Grande do Sul, forma o eixo responsável por praticamente todo o trigo colhido no Brasil, consolidando a região Sul como o grande celeiro desse cereal.
O sucesso de Tibagi, no entanto, não acontece por acaso. A cidade reúne uma combinação rara de fatores naturais e técnicos que favorecem a produção. O clima mais frio, tÃpico do Sul, é ideal para o desenvolvimento do trigo. A altitude elevada, que varia entre 800 e 1.300 metros, contribui para a qualidade das lavouras, enquanto o solo fértil e bem manejado, aliado a um regime de chuvas equilibrado, garante boas condições de sanidade vegetal. Esses elementos fazem com que o trigo da região seja considerado de alta qualidade no mercado nacional.
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Além das condições naturais, o uso intensivo de tecnologia no campo é um dos principais diferenciais da cidade. Os produtores locais investem em agricultura de precisão, sementes melhoradas e práticas modernas de manejo.
Um dos pilares desse modelo é a rotação de culturas, em que o trigo é alternado com soja, milho e feijão. Essa estratégia melhora a fertilidade do solo, reduz a incidência de pragas e doenças e mantém a produtividade em nÃveis elevados ao longo dos anos.
O impacto econômico dessa produção é expressivo. Tibagi já ultrapassou a marca de R$ 1,3 bilhão em Valor Bruto de Produção (VBP) agropecuária, consolidando-se como uma das cidades que mais geram riqueza no campo na região Sul do Brasil. Embora o trigo seja o sÃmbolo do municÃpio, a soja ainda lidera o faturamento, evidenciando a diversificação da produção local. Curiosamente, a cidade já foi conhecida pelo garimpo de diamantes, mas hoje encontra sua maior riqueza na agricultura.
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Localizada a cerca de 200 quilômetros de Curitiba, a cidade também possui um potencial turÃstico relevante. A região dos Campos Gerais é conhecida por suas paisagens naturais, como cânions, trilhas e áreas de ecoturismo, além de carregar uma rica história ligada ao ciclo do diamante, o que reforça a identidade única do municÃpio.
O futuro aponta para expansão. Mesmo diante dos desafios do setor, como variações climáticas e custos de produção, a tendência é de crescimento contÃnuo. O avanço tecnológico no campo e a alta demanda por trigo no Brasil — que ainda precisa importar milhões de toneladas por ano — colocam Tibagi em uma posição estratégica para os próximos anos.
Mais do que um polo agrÃcola, a cidade simboliza um fenômeno cada vez mais evidente no paÃs: pequenos municÃpios que desempenham papéis gigantes na economia nacional. Tibagi mostra que, longe dos grandes centros urbanos, existem regiões que sustentam cadeias produtivas inteiras e ajudam, de forma silenciosa, a alimentar o Brasil.
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