Terminal de Pesca segue sem planos

Entreposto não será contemplado por projeto 'Nova Ponta da Praia', pois a área é de responsabilidade do Governo Federal

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11 FEV 2019Por Vanessa Pimentel10h50
O que se vê ao entrar no entreposto é o retrato do abandono e da falta de interesse do poder públicoFoto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

O peixe é um alimento requisitado. Seja nos restaurantes, seja na mesa do povo, ou nos lotados festivais de comida japonesa, lá este ele como prato principal. Mas, poucas são as pessoas que param um instante e pensam em toda a logística por quais os alimentos passam até chegar à mesa. Com o pescado não é diferente. 

Em Santos, apesar da fartura desta mercadoria encontrada na Rua e Mercado de Peixes, o caminho percorrido por eles é longo – e mais ainda é o do pescador. E se pouca gente se questiona como um alimento vem parar no prato, menos ainda são os que se importam em saber quem foi o responsável por buscar, lá no meio do oceano, com sol ou chuva, calmaria ou tempestade, calor ou frio, o apreciado peixe.

O pescador artesanal quando programa uma saída para o mar calcula tudo o que irá precisar durante a estadia por lá: refeição e água suficiente para os pescadores que irão embarcar, rota, documentação necessária, tipo de isca, redes, equipamentos, gelo, e o local onde irá desembarcar. 

No passado, o Terminal Pesqueiro Público de Santos (TPPS) foi um dos lugares mais procurados, já que quando operava chegou a movimentar mais de 400 toneladas/dia de peixe, além de contar com uma fábrica própria que produzia 120 toneladas/dia de gelo.

Hoje, o que se vê ao entrar no entreposto é o retrato do abandono e da falta de interesse do poder público em mudar este cenário. As telhas do galpão principal estão enferrujadas, há mato e lixo por todo o terreno.

O prédio da fábrica de gelo segue parado. No dia da visita da Reportagem, havia apenas dois pescadores arrumando suas redes, alguns barcos apoitados e caixas empilhadas do último carregamento que, “geralmente acontece às segundas-feiras e mesmo assim é uma quantidade pequena perto do que já foi no passado. Não dá mais para descarregar aqui porque não tem gelo nem estrutura”, explica um dos guardas.

O fato não é mais novidade, mas continua desanimando e desvalorizando os pescadores. Sem ter para onde voltar, eles acabam descarregando em outros terminais, geralmente no Sul do país. Enquanto isso, os comerciantes da região pagam mais caro para trazer os peixes de longe e o cliente sente no bolso.   

Se os planos para a “Nova Ponta da Praia” animaram alguns, decepcionaram outros, já que não contemplam o TPPS, pelo contrário, parecem ignorar a história pesqueira do município e a luta de pescadores e profissionais ligados à pesca, segundo o oceanógrafo e diretor do Instituto Maramar, Fabrício Gandini. Há anos ele luta pela reativação do terminal sem obter resultados ou respostas. 

De acordo com a prefeitura, não é possível fazer nenhuma modificação no TPPS  porque o dono do equipamento é o Governo Federal. Explicou também que devido à mudança do governo presidencial, ainda não há confirmação sobre os atuais gestores. Em relação ao centro de convenções que será construído ao lado do entreposto, disse que o governo fez a divisão do terreno e não do terminal. 

“O terreno foi dividido em 4 partes: Terminal de Pesca de Santos e Polícia Federal - ambos de competência federal; a área do Centro de Atividades Turísticas; e mais uma quarta área que será transformada em rua - essas duas últimas áreas de competência da Prefeitura”, informou em nota.

 

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