Cotidiano

Telescópio espacial registra galáxia 'Água-viva' de mais de 8 bilhões de anos que desafia a ciência

Descoberta revela filamentos de gás e estrelas jovens fora do disco, indicando ambientes cósmicos antigos mais violentos

Luna Almeida

Publicado em 24/02/2026 às 19:51

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Uma das imagens mais detalhadas já obtidas desse tipo raro de galáxia / NASA/ESA

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Uma galáxia extremamente antiga, com aparência semelhante a uma água-viva, foi registrada pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA. O objeto, catalogado como COSMOS2020-635829, é visto como existia há cerca de 8,5 bilhões de anos — período em que o Universo ainda passava por intensas transformações estruturais.

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O estudo, publicado no último dia 17 na revista científica The Astrophysical Journal, apresenta uma das imagens mais detalhadas já obtidas desse tipo raro de galáxia, permitindo investigar como ambientes extremos moldaram a evolução das grandes estruturas cósmicas.

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O que é uma galáxia “água-viva”

O apelido vem do formato incomum: longos filamentos de gás se estendem atrás do corpo principal, lembrando tentáculos flutuando no espaço. 

Essas estruturas surgem quando a galáxia atravessa um aglomerado de outras galáxias em alta velocidade e sofre um processo conhecido como arrancamento por pressão (ram pressure stripping).

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Nesse fenômeno, o meio denso do aglomerado atua como um “vento cósmico”, removendo o gás da galáxia. O material arrancado forma trilhas extensas, responsáveis pela aparência característica.

Estrelas jovens surgem fora da galáxia

Observações detalhadas do JWST mostraram algo surpreendente: os filamentos não são apenas resíduos de gás, mas também locais de formação estelar ativa. Pontos azulados brilhantes revelam a presença de estrelas jovens nascidas fora do disco principal da galáxia.

Isso indica que o processo de arrancamento não apenas remove matéria, mas também pode desencadear novas regiões de nascimento estelar no material deslocado.

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Ambientes antigos eram mais hostis

Até recentemente, os cientistas acreditavam que aglomerados de galáxias tão antigos não gerariam pressão suficiente para produzir esse tipo de estrutura com frequência. 

A nova descoberta sugere o contrário: o Universo primitivo já possuía regiões extremamente agressivas, capazes de remodelar galáxias inteiras.

A COSMOS2020-635829 foi identificada no chamado campo COSMOS, uma área do céu amplamente estudada por apresentar pouca interferência de poeira e estrelas da Via Láctea, ideal para observar objetos muito distantes.

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Próximos passos da pesquisa

Astrônomos pretendem realizar novas observações com o James Webb para entender melhor como as galáxias antigas perderam gás, deixaram de formar estrelas e evoluíram para as estruturas atuais.

A descoberta reforça o papel do telescópio como ferramenta fundamental para investigar o passado profundo do Universo — revelando não apenas objetos distantes, mas também pistas sobre a própria história cósmica.

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