Técnicos estrangeiros chegam amanhã para auxiliar no combate ao incêndio na Alemoa

Profissionais atuaram na Guerra do Golfo e devem trabalhar na vedação dos vazamentos. 400 mil litros de LGE já foram utilizados pelos bombeiros desde o início do incêndio

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09 ABR 201519h46

Os técnicos da empresa Williams Fire & Hazard Control, dos Estados Unidos, chegam amanhã (10) a Santos, para auxiliar no combate ao incêndio no terminal da Ultracargo, na Alemoa.

O trabalho dos profissionais será focado em conter os vazamentos existentes nas tubulações dos tanques de álcool anidro e gasolina, que causam o aumento das chamas no local.

A empresa tem experiência na situação. Os especialistas trabalharam na Guerra do Golfo, no Kuwait. Eles foram responsáveis pela vedação de tanques de petróleo no País após os ataques.

“Foi sugerido que trouxessem especialistas dessa empresa. São pessoas que tem experiência e podem colaborar com isso. Os materiais que estão sendo usados, de maior calibre e maior intensidade, são dessa empresa. Então, por que não trazer profissionais desse calibre para ajudar?”, comentou o coronel José Roberto Rodrigues de Oliveira, coordenador da Defesa Civil do Estado de São Paulo.

Vedar os pontos de escape dos combustíveis é a prioridade para as equipes dos Bombeiros já que não há mais fogo nos tanques. Ontem, a tampa do cilindro que ainda estava em chamas cedeu, facilitando o combate direto às chamas.

Com a diminuição do fogo, os bombeiros descartaram voltar a utilizar as espumas cold fire e F-500. Mas, apesar do avanço na situação, ainda não há prazo para o fim da ocorrência.

“Falar em prazos é chutar no escuro. Vamos trabalhar no sentido de fazer as chamas não voltarem e acabar com os vazamentos. Assim que isso estiver estabilizado pode-se dizer que acabou”, disse o coronel.

Bombeiros continuam trabalhando no resfriamento dos tanques (Foto: Luiz Torres/DL)

Carregamentos

Cerca de 500 mil litros do LGE (Líquido Gerador de Espuma) foram adquiridos pela Defesa Civil. Esse material servirá tanto para ser utilizado no combate quanto reabastecer os estoques do produto no País.

Desse total, 180 mil foram embarcados ontem, em Houston, nos Estados Unidos e devem chegar até hoje em Campinas, no interior de São Paulo. Além disso, 11 mil litros do composto foram enviados de Camaçari, na Bahia, e chegaram por volta das 16h de ontem, na Alemoa. Mais outro carregamento deve vir do Rio Grande do Sul.

Desde quinta-feira passada (2), quando começou o incêndio, mais de 400 mil litros de LGE foram usados pelos bombeiros.

Acrilato de butina

Composto utilizado para a fabricação de resinas e tintas acrílicas (utilizadas na pintura de veículos), o acrilato de butila já não preocupa a Defesa Civil. 

Inicialmente havia a possibilidade de transferir o material dos tanques para um navio, mas essa manobra, que demoraria cerca de 80 horas, foi descartada.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil do Estado de São Paulo, há três tanques com água antes dos cilindros de acrilato de butila. Além disso, ele ressaltou que o composto atinge a ebulição aos 250 graus, temperatura que dificilmente seria atingida.

Segundo José Roberto Rodrigues de Oliveira, caso houvesse vazamento do acrilato de butila, a maior preocupação seria com o odor do produto, que pode causar mal-estar.