GOVERNO 3

Tatuadores santistas se unem e lançam campanha pela Amazônia

Desenhos que representam a fauna e a flora da Amazônia podem ser tatuados por R$ 100; valor será doado para WWF-Brasil

Comentar
Compartilhar
17 SET 2019Por Vanessa Pimentel08h00
Ideia surgiu em uma conversa entre dois tatuadores, após verem as tristes imagens dos incêndios que destroem a regiãoFoto: Nair Bueno/DL

Um grupo de tatuadores santistas se uniu em prol da Amazônia e criou uma campanha para ajudar a floresta. A ideia surgiu em uma conversa entre o tatuador Rodrigo Stanquini e o amigo Marcelo Franco, tatuador em Itatiba, após acompanharem as tristes imagens dos incêndios que destroem a região.

"A gente pensou em alguma forma de protesto, mas vendo a gravidade da situação, achamos que seria mais efetivo fazer alguma coisa que arrecadasse dinheiro para enviar para quem está lá na floresta, trabalhando por ela", explica Rodrigo.

Então, eles criaram desenhos que representam a fauna e a flora da Amazônia e anunciaram nas redes sociais que tatuariam as imagens por um valor simbólico de R$ 100, doados integralmente para a WWF-Brasil, uma das Organizações não governamentais mais reconhecidas do mundo pelas ações de proteção do meio ambiente.

Assim que a campanha Tattoo pela Amazônia (#tattoopelaamazonia) foi divulgada, no fim de agosto, muita gente começou a mandar mensagem querendo agendar a sessão. Tatuadores de outras cidades, e até mesmo de outros países, como o Japão, abraçaram a causa disponibilizando novos desenhos. O projeto ganhou até um 'teaser' (prévia em vídeo) produzido por um amigo de Rodrigo e veiculado nas redes sociais.

"Tomamos um susto com a proporção que a campanha tomou. Eu sempre acreditei que pequenas ações podem gerar grandes resultados e hoje, mais do que nunca, tive certeza disso porque de uma simples conversa com um amigo, surgiu todo um movimento para ajudar a Amazônia, e ele continua crescendo", diz Rodrigo.

Além de Rodrigo, os três tatuadores do Doca 59 tattoo estão disponíveis para tatuar os 30 modelos de desenhos  (Foto: Nair Bueno/DL)

Devido à grande procura, a campanha não tem data para acabar. "Enquanto tiver gente querendo tatuar, a gente vai continuar".

Além de Rodrigo, os três tatuadores do Doca 59 tattoo, no canal três, em Santos, estão disponíveis para tatuar os 30 modelos de desenhos. Por enquanto, os que mais saíram foram a onça, a anta e o sapo.

Até o momento 27 pessoas aderiram a ação, só em Santos. Fátima Augusto, de 61 anos, é uma delas. Ao lado da filha Carolina Augusto, de 32 anos, Fátima optou por tatuar um bicho preguiça no braço.

"Temos que ajudar com o que podemos porque do jeito que as coisas estão na Amazônia, se não fizermos nada, vamos perdê-la", diz.

Carolina fez duas tatuagens da campanha. "Achei incrível reverter toda a renda para a Amazônia. Cada um tem que fazer a sua parte, não dá para ficar esperando".

Ontem, os tatuadores fizeram a primeira doação a WWF-Brasil, que chegou a R$ 2.700,00. Campanha não tem data para acabar (Foto: Nair Bueno/DL)

Doação

Ontem (16), os tatuadores fizeram a primeira doação a WWF-Brasil, que chegou a R$ 2.700,00. A escolha pela instituição aconteceu porque eles já conheciam o trabalho da ONG.

Criada em 1996, a WWF-Brasil tem cinco escritórios, localizados em Brasília, São Paulo, Campo Grande, Rio Branco e Manaus - além de atividades permanentes em outras localidades, como Fernando de Noronha.

O quadro de funcionários é composto por 138 pessoas que atuam em 68 projetos na Amazônia, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e nos ecossistemas marinhos.

Na Amazônia, o trabalho é realizado junto com autoridades governamentais, comunidades locais e indígenas, organizações não-governamentais e setor privado, com objetivo de contribuir para a proteção da floresta e de sua biodiversidade, funções e serviços ecológicos.

O trabalho é feito por meio de incentivo à criação, consolidação e ampliação de unidades de conservação; desenvolvimento de programas para reduzir as emissões de carbono oriundas do desmatamento; entre outras ações.

Até o início deste mês, o bioma Amazônia contabilizava mais de 30 mil focos de incêndios.

Colunas

Contraponto