Cotidiano

Tartarugas-gigantes voltam à ilha de Galápagos, onde estavam extintas há 150 anos

Projeto ecológico devolve espécie extinta localmente à Ilha Floreana e prevê soltura de até 700 animais para restaurar o ecossistema

Luna Almeida

Publicado em 24/02/2026 às 22:01

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A iniciativa busca recuperar funções ecológicas fundamentais desempenhadas pela espécie / Divulgação/Zoológico da Filadélfia

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Quase um século e meio após desaparecerem da Ilha Floreana, no arquipélago de Galápagos, as tartarugas-gigantes voltaram a habitar a região. Autoridades do Equador realizaram a soltura de 158 exemplares juvenis na última sexta-feira, dando início a um ambicioso programa de restauração ambiental que pretende reintroduzir até 700 animais na ilha.

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A iniciativa busca recuperar funções ecológicas fundamentais desempenhadas pela espécie, considerada uma verdadeira “engenheira do ecossistema”. 

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As tartarugas ajudam na dispersão de sementes, no controle da vegetação e na regeneração natural do habitat — processos essenciais para o equilíbrio ambiental da ilha.

Espécie desapareceu no século XIX

As tartarugas nativas de Floreana desapareceram no século XIX, vítimas da exploração humana, caça intensiva, incêndios e da introdução de mamíferos invasores. O repovoamento atual utiliza animais com forte ligação genética à espécie original.

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Segundo o Ministério do Meio Ambiente do Equador, os indivíduos liberados carregam entre 40% e 80% do material genético da Chelonoidis niger, linhagem historicamente associada à ilha. 

Antes da soltura, os animais passaram por quarentena e receberam microchips para monitoramento.

Reprodução assistida e recuperação genética

Os juvenis foram criados em centros especializados do Parque Nacional de Galápagos a partir de exemplares com maior proximidade genética da população extinta. A expectativa é que, ao longo das gerações, o perfil genético original da espécie seja gradualmente restaurado.

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O arquipélago abriga atualmente 13 espécies vivas de tartarugas-gigantes em outras ilhas. Esses animais podem ultrapassar 250 quilos e viver mais de um século — alguns registros apontam indivíduos com cerca de 175 anos.

Retorno a um ambiente transformado

A soltura ocorreu durante o período chuvoso, considerado ideal para a adaptação dos animais, já que há maior disponibilidade de alimento e água. 

Ainda assim, as tartarugas enfrentarão desafios importantes, especialmente a presença contínua de espécies invasoras.

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Floreana possui uma pequena comunidade humana e abriga diversas espécies nativas, o que torna o manejo ambiental mais complexo. O retorno das tartarugas, porém, é visto como um marco para a recuperação da biodiversidade local.

Moradores da ilha acompanharam o processo com emoção. Para a comunidade, o reaparecimento dos animais simboliza a concretização de um esforço conservacionista iniciado há anos.

Projeto faz parte de restauração ampla

Além das tartarugas-gigantes, pesquisadores trabalham na reintrodução de outras espécies endêmicas extintas localmente. A ação integra um programa mais amplo de restauração ecológica em Floreana.

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As Ilhas Galápagos, localizadas a cerca de 1.000 quilômetros da costa do Equador, são Patrimônio Mundial da UNESCO e reconhecidas internacionalmente pela biodiversidade única que inspirou estudos fundamentais sobre a evolução das espécies.

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