Tarcísio quer ressuscitar ferrovia histórica e criar trem turístico com viagens mais belas de São Paulo

A ideia foi revelada durante uma agenda oficial na região e reacendeu a expectativa pela reativação da histórica ferrovia entre Santos e Cajati

A proposta foi mencionada de forma espontânea pelo governador após ele percorrer parte da antiga linha férrea ao lado do prefeito de Peruíbe

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, voltou a colocar os trilhos no centro dos planos de mobilidade do Estado ao anunciar a intenção de criar um trem turístico ligando a Baixada Santista ao Vale do Ribeira.

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A ideia foi revelada durante uma agenda oficial na região e reacendeu a expectativa pela reativação da histórica ferrovia entre Santos e Cajati.

A proposta foi mencionada de forma espontânea pelo governador após ele percorrer parte da antiga linha férrea ao lado do prefeito de Peruíbe, Felipe Bernardo.

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Na ocasião, Tarcísio afirmou que, ao passar pela via, pensou na necessidade futura de construir um trem turístico para integrar as duas regiões.

Embora a ideia ainda esteja em fase de intenção, a declaração coincide com um projeto muito mais amplo que já vem sendo desenvolvido pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, a CPTM: a implantação de uma nova ferrovia de passageiros e de cargas.

Nova ferrovia passará por treze cidades

O estudo conduzido pela área de Desenvolvimento e Expansão de Transporte da CPTM prevê uma linha ferroviária moderna com aproximadamente 223 quilômetros de extensão.

O objetivo é restabelecer a ligação entre o litoral paulista e o Vale do Ribeira, utilizando parte da infraestrutura existente sempre que houver condições técnicas para o reaproveitamento. Caso seja implantado, o corredor ferroviário conectará praticamente todo o Litoral Sul ao principal polo econômico da região.

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O traçado preliminar prevê estações em treze municípios paulistas, incluindo Santos, São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe, Itariri, Pedro de Toledo, Miracatu, Juquiá, Registro, Jacupiranga e Cajati.

Segundo o plano de negócios da companhia, o projeto funcional está praticamente concluído e a próxima etapa envolve a elaboração do anteprojeto de engenharia, com previsão de término até 2028.

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Esse documento servirá de base para uma futura licitação ou concessão à iniciativa privada.

Viagens mais rápidas e transporte de cargas

Os estudos indicam que o serviço expresso faria o percurso total entre Santos e Cajati em aproximadamente duas horas e vinte minutos. Além da operação principal, o planejamento contempla duas linhas regionais.

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A primeira ligaria Santos a Peruíbe em um tempo estimado de 48 minutos, enquanto a segunda faria o trajeto de Peruíbe a Cajati em cerca de uma hora e 54 minutos. Essa configuração permitiria atender tanto aos deslocamentos turísticos quanto às viagens diárias dos moradores locais.

A proposta não se limita ao transporte de pessoas, pois a nova ferrovia também deverá ser utilizada para a movimentação de mercadorias, fortalecendo a logística entre o Porto de Santos e o Vale do Ribeira.

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As projeções da CPTM apontam um potencial para transportar cerca de 32 mil passageiros e aproximadamente 600 contêineres diariamente.

De acordo com a companhia, essa integração poderá reduzir o fluxo de caminhões nas rodovias, diminuir os congestionamentos e aumentar a competitividade econômica do estado.

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Investimentos e fomento ao turismo regional

O custo estimado para a implantação do projeto varia entre R$ 19 bilhões e R$ 21 bilhões, sendo que esse valor ainda poderá sofrer alterações conforme o detalhamento do anteprojeto de engenharia, que definirá as soluções construtivas, a necessidade de desapropriações, a recuperação da via permanente e a construção das estações.

Após a conclusão dessa etapa, o Governo de São Paulo deverá definir o modelo de financiamento, que poderá envolver uma concessão direta à iniciativa privada ou a formação de parcerias público-privadas.

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Potencial turismo na região

Embora a prioridade técnica da CPTM seja estruturar o transporte convencional de passageiros e cargas, a fala do governador reforça o enorme potencial do turismo ferroviário.

A antiga rota atravessa áreas de Mata Atlântica preservada, montanhas, rios e municípios históricos do Vale do Ribeira, que é considerado Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.

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O percurso também cruza cidades famosas por suas praias, cachoeiras, cavernas e parques estaduais. Especialistas avaliam que um trem turístico poderia estimular o comércio local e fortalecer a rede de pousadas e restaurantes, além de ampliar significativamente o fluxo de visitantes.

Entre os principais benefícios esperados com a futura linha ferroviária estão a redução de acidentes de trânsito e congestionamentos, a menor emissão de gases poluentes e o fortalecimento da mobilidade regional.

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O projeto também promete impulsionar o desenvolvimento econômico do Vale do Ribeira e garantir uma maior competitividade logística para o Porto de Santos.

Mesmo sem uma data definida para o início das obras, a reativação da malha ferroviária permanece entre as prioridades do governo e pode representar o maior avanço na infraestrutura de trilhos do litoral paulista em décadas.