Cotidiano
Pesquisa conjunta entre o Instituto Butantan e o Einstein identifica molécula no veneno da caranguejeira capaz de eliminar células de leucemia sem causar inflamação
Foi fotografado um exemplar de tarântula do mesmo grupo estudado pelos pesquisadores / Márcio Ribeiro/DL
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Uma espécie de aranha-caranguejeira nativa do Brasil e encontrada no litoral de São Paulo tornou-se foco de uma importante pesquisa sobre o combate ao câncer. A espécie, Vitalius wacketi, pertence à família Theraphosidae, das Tarântulas. Algumas estão ameaçadas de extinção.
O estudo é conduzido pelo Instituto Butantan em parceria com a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Os pesquisadores identificaram, a partir do veneno da aranha, uma molécula com potencial para o tratamento do câncer, obtida por meio de um processo considerado inovador.
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Segundo publicação da National Geographic, o biólogo Pedro Ismael da Silva Junior, do Butantan, já investigava a atividade biológica do veneno da caranguejeira. Com a parceria do grupo Einstein e análises aprofundadas de toxinas extraídas de outras espécies do gênero Vitalius, a equipe chegou a um resultado promissor no combate à doença.
Após a síntese laboratorial da substância para obtenção da molécula de poliamina toxina abundante no veneno da Vitalius wacketi e sua purificação, os pesquisadores testaram sua capacidade de combater células cancerígenas. Em testes in vitro, a molécula eliminou células de leucemia.
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De acordo com o portal do Butantan, um dos diferenciais do composto é o mecanismo de ação: ele induz a morte das células tumorais por apoptose (morte programada), e não por necrose. Isso significa que a célula se autodestrói de forma controlada, sem provocar reação inflamatória, diferentemente do que ocorre com parte dos quimioterápicos atualmente disponíveis.
"A morte por necrose é não programada, na qual a célula colapsa, levando a um estado inflamatório importante. Já na apoptose, a célula tumoral sinaliza ao sistema imune que está morrendo, para que ele remova posteriormente os fragmentos celulares", explica o pesquisador do Einstein Thomaz Rocha e Silva, responsável pelos testes de ação antitumoral.
Segundo os pesquisadores, a nova molécula conseguiu eliminar inclusive células leucêmicas resistentes a quimioterápicos. O próximo passo será realizar testes em células de câncer de pulmão e de ossos. A tecnologia também será avaliada em células humanas saudáveis para verificar se há toxicidade, ou seja, se o composto é seletivo e atinge apenas células cancerosas.
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A equipe patenteou o processo de obtenção e produção da molécula e busca licenciar a tecnologia para avançar em estudos em maior escala, inicialmente em animais e, futuramente, em humanos.
Recentemente, um registro raro foi feito em uma das áreas de mata mais preservadas do litoral paulista, em Iguape. Durante uma expedição noturna do Instituto Ernesto Zwarg, foi fotografado um exemplar de tarântula do mesmo grupo estudado pelos pesquisadores.
O animal foi localizado no chão da floresta após o reflexo da luz da lanterna em seus olhos.
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"Você aponta a luz da lanterna para o chão e vê os olhos das aranhas brilharem. Assim, fica fácil encontrar esses aracnídeos", relatou um dos biólogos do instituto.
Apesar do porte, as tarântulas não são consideradas perigosas para humanos, pois não produzem toxinas nocivas à espécie humana. Por isso, algumas espécies são criadas como animais de estimação. Entre os mecanismos de defesa estão os pelos urticantes presentes no abdômen, que podem causar irritação na pele de predadores.
As tarântulas vivem em regiões temperadas e tropicais das Américas, Ásia, África e Oriente Médio. Pertencem à família Theraphosidae e se caracterizam pelas pernas longas, com duas garras na extremidade, e pelo corpo revestido por cerdas urticantes.
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No litoral paulista, a espécie típica é a Vitalius wacketi, encontrada desde Angra dos Reis até o Rio Grande do Sul, podendo atingir até 12 centímetros de comprimento. Outra espécie com distribuição na região é a Plesiopelma insulare. Já a Vitalius buecherli também é descrita para a área, mas é considerada mais rara na Baixada Santista, segundo levantamento do Butantan.
No norte da Amazônia, há espécies que podem alcançar até 30 centímetros de envergadura, como a tarântula-gigante-comedora-de-pássaros, Theraphosa blondi. Em média, porém, as tarântulas medem entre 15 e 25 centímetros com as pernas estendidas.
Essas aranhas se alimentam de pequenos animais, como roedores, anfíbios e até aves, dependendo da espécie. Especialistas apontam que o canibalismo também ocorre entre indivíduos do grupo.
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Algumas tarântulas estão ameaçadas de extinção devido à destruição de seu habitat. Em contrapartida, são também algumas das aranhas mais criadas em cativeiro e, por isso, tornam-se alvo de traficantes de animais.