Cotidiano
Planta aquática invasora sufoca peixes, bloqueia luz e oxigênio e já causou colapsos pesqueiros mas cientistas querem transformar a praga em biomassa útil
O aguapé (Eichhornia crassipes) pode parecer inofensivo, mas é considerado a espécie invasora mais disseminada do planeta, segundo a ONU / ImageFX
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O que o aguapé, o mexilhão-dourado e o mosquito da dengue têm em comum? Além de serem espécies invasoras que causam prejuízos bilionários, eles representam um desafio que a ciência está tentando transformar em lucro.
O aguapé (Eichhornia crassipes) pode parecer inofensivo, mas é considerado a espécie invasora mais disseminada do planeta, segundo a ONU. Originária da América do Sul, ela atravessou fronteiras e hoje causa colapsos em ecossistemas distantes, como o Lago Vitória, na África.
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Ao formar densas camadas sobre a água, a planta cria um bloqueio mortal:
Zero Luz: Impede a fotossíntese de plantas submersas.
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Falta de Oxigênio: Leva à morte em massa de peixes e invertebrados.
Caos Econômico: Destrói a pesca local e bloqueia turbinas de hidrelétricas.
Não se trata apenas de ecologia. As invasões biológicas — que já somam mais de 37 mil espécies deslocadas pelo homem — pesam no bolso. Em 2019, o impacto econômico mundial ultrapassou os R$ 2 trilhões.
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No Brasil, os vilões são conhecidos:
Mexilhão-dourado: Entope sistemas de refrigeração de usinas e afeta a aquacultura.
Aedes aegypti: Transforma uma invasão biológica em uma crise crônica de saúde pública.
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A grande novidade que está atraindo olhares de investidores e cientistas é o potencial energético da biomassa do aguapé. Em vez de gastar fortunas apenas com a remoção e descarte, a proposta é converter a planta em energia renovável.
A lógica é simples: Se o controle exige remoção constante, por que não transformar esse resíduo em riqueza sustentável?
Essa abordagem não elimina o perigo da espécie, mas cria um modelo de negócio onde o combate ao problema ambiental gera retorno financeiro, ajudando a financiar a própria recuperação dos rios.
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O aguapé é o símbolo de um novo dilema: a destruição acelerada de ecossistemas versus a criatividade científica. A solução para as crises ambientais do século XXI pode estar, literalmente, boiando na superfície dos nossos rios.