SV: Idosa se inscreve em programa de Luciano Huck para ajudar Lar Vicentino

Gloria Rios, de 77 anos, quer participar do quadro 'Quem quer ser um milionário' para reabrir sua antiga loja

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05 ABR 2021Por Da Reportagem17h20
Glória pretende investir o dinheiro que ganhar na reabertura de sua loja e ajudar a instituição onde resideGlória pretende investir o dinheiro que ganhar na reabertura de sua loja e ajudar a instituição onde resideFoto: Bárbara Farias

Maria da Gloria Conceição Rios, aos 77 anos de idade, se prepara para dar mais uma guinada em sua vida. Já não era sem tempo. Gloria, como gosta de ser chamada, é mulher de fibra, batalhadora, comerciante. Ela não tem um sonho, tem objetivo. Gloria pretende retomar o seu negócio e voltar a trabalhar. Atualmente, residindo no Lar Vicentino Assistência à Velhice, em São Vicente, na Baixada Santista, essa mulher de mente inquieta já planejou, calculou e colocou tudo na ponta do lápis, literalmente. Ela quer reabrir a sua antiga loja, que era uma papelaria, e pretende ampliá-la incluindo bazar e bomboniere. Mas, não tem os recursos necessários para o investimento. Par a isso, se inscreveu no quadro “Quem quer ser um milionário”, do programa Caldeirão do Huck, apresentado por Luciano Huck, na Rede Globo.   

Gloria pretende angariar os fundos para reabrir o seu negócio com o que ganhar no programa televisivo, mas quer ainda mais. Parte do prêmio em dinheiro será destinado ao seu tratamento de saúde e para o Lar Vicentino Assistência à Velhice, a instituição de longa permanência para idosos (ILPI) onde reside desde junho do ano passado.

“Eu gostaria de participar do quadro ‘Quem quer ser um milionário’, do programa do Luciano Huck. Eu quero participar para tentar ganhar algum dinheiro para o meu tratamento de saúde, reabrir o meu negócio e, principalmente, ajudar a casa de repouso Lar Vicentino onde resido. A instituição tem 30 idosos precisando de ajuda”, afirma Gloria. “E, depois que eu fizer o meu tratamento, irei montar, novamente, a minha papelaria, onde eu trabalhei por 20 anos. Quando fechei a papelaria, fui morar em Rio Branco, no Acre. Há três anos, retornei para São Vicente, mas sempre com a intenção de voltar a trabalhar porque eu não quero ficar parada. Por isso, eu quero participar deste programa”, conta.

“Faço questão que vocês (produção do Caldeirão do Huck) me chamem porque quando eu contar a minha vida, talvez seja aproveitada para uma novela, tem muita coisa para ser contada na televisão”, comenta Gloria.   

A história de Gloria é, sem dúvida, um roteiro pronto para ser rodado em uma novela ou um filme. Ela começou a trabalhar cedo, amadureceu rápido e logo assumiu as rédeas de sua vida. Escreveu, até aqui, capítulos de uma história de luta, garra, muito trabalho, empreendedorismo, coragem, queda e volta por cima. “Eu comecei a trabalhar com 12 anos de idade. Eu fui substituir a minha irmã, em uma sorveteria e trabalhei vários anos ali. Depois, eu fui trabalhar na maior papelaria da minha cidade (a “Cruzeiro”, em São Vicente), onde fiquei por muitos anos, chegando, inclusive, ao cargo de gerente”, conta Gloria.

Mas, ela ainda não estava satisfeita. Almejava ir mais longe. “Eu não me conformo em ficar estagnada. Então, eu pedi as minhas contas de onde eu trabalhava e montei uma pequena lojinha, uma papelaria, que era o que eu entendia demais. De lá, eu comprei o maior ponto do meu bairro, em São Vicente, e fiquei ali por 20 anos”, diz Gloria.
Gloria abriu a sua papelaria no bairro Vila Jóquei Clube, em São Vicente. Deu o nome de Mônica, em homenagem à personagem mais famosa do cartunista Mauricio de Sousa, o que lhe seria um bom presságio e uma promessa de prosperidade. Com muito trabalho e empenho, Gloria tornou sua papelaria próspera e chegou a ter cinco funcionários. Durante duas décadas foi dali que tirou o sustento de sua família.

No entanto, os tempos de prosperidade estavam com os dias contados. “Meu companheiro ficou doente e era viciado em jogo de baralho. Eu tinha um filho com ele, então, para evitar que ele, talvez, fosse morto por causa de dívida de jogo, eu fui pagando as contas dele. E, assim, eu perdi a minha loja todinha. Fiquei sem nada. Mas, eu sempre batalhei, montei umas lojinhas pequenas numa época muito difícil, de inflação alta. Tinha época que o dinheiro da lojinha não dava, então, eu ia para a estrada vender água mineral. Eu não tinha vergonha. E eu não tenho mesmo. Se houver a necessidade de pegar papelão na rua, eu pego”, relembra uma obstinada Gloria.

“Agora, eu pretendo participar desse programa para reabrir a minha loja novamente. Não sei se no mesmo ponto, ou em outro ponto menor, mas eu vou reabrir a minha loja, e dar emprego para mais uma ou duas pessoas. Eu sempre tive vários empregados. Eu tinha cinco empregados na minha loja maior”, afirma Gloria, determinada.

Gloria adianta que o estabelecimento será um misto de bazar, papelaria e bomboniere. O futuro estabelecimento já tem nome e data de abertura. “O nome da loja será ‘Os três porquinhos pobres’ e será aberta no dia 2 de dezembro de 2021”, conta ela.

A veterana comerciante já fez o levantamento dos equipamentos que precisará para montar a sua loja, os respectivos custos, e das mercadorias que pretende vender. Falta apenas o investimento para retomar o seu negócio.

Atualmente, Gloria reside no Lar Vicentino Assistência à Velhice, situado à Rua Carijós, 139, no Parque São Vicente, em São Vicente.