Suzane Von Richthofen foi vista recentemente em praia do litoral de São Paulo / Reprodução/TV Record
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A ausência de um testamento abriu caminho para um desfecho inesperado na sucessão de bens do médico aposentado Miguel Abdalla Netto, de 76 anos. Encontrado morto em sua residência no inÃcio de janeiro, ele não deixou descendentes, ascendentes ou cônjuges formais, o que coloca sua sobrinha, Suzane von Richthofen, como uma das principais candidatas à herança estimada em R$ 5 milhões.
O levantamento, realizado pelo jornalista Ulisses Campbell em todos os cartórios de São Paulo pelo Colégio Notarial do Brasil, confirmou que não existem registros de disposições de última vontade deixadas pelo idoso, o que obriga a partilha a seguir o rito da sucessão legÃtima prevista no Código Civil.
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O patrimônio em disputa inclui duas casas na capital paulista, aplicações financeiras e um sÃtio localizado no litoral do estado. No entanto, Suzane enfrenta a resistência de Silvia Magnani, de 69 anos, prima de Miguel, que alega ter mantido uma união estável com o médico por cerca de 14 anos.
Silvia, que foi a responsável por liberar e sepultar o corpo, já busca o reconhecimento judicial do relacionamento para ser incluÃda como herdeira. Ela critica abertamente a pretensão da sobrinha, lembrando que Miguel foi o responsável por mover o processo que declarou Suzane "indigna" de receber a herança dos próprios pais, Manfred e MarÃsia von Richthofen, assassinados em 2002 a mando da filha.
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O embate entre as duas mulheres começou logo após o óbito, com tentativas frustradas de acessar o imóvel onde o médico vivia, no Campo Belo. Atualmente, a entrada na residência está bloqueada por um vizinho que detém as chaves e exige uma ordem judicial para liberá-las.
Suzane, por sua vez, já constituiu defesa e sinalizou que pretende lutar pelo que considera seu direito legal, argumentando inclusive que os bens seriam fundamentais para o futuro de seu filho. A situação cria um paradoxo jurÃdico: após ser excluÃda da fortuna de R$ 10 milhões de seus pais por intervenção direta do tio, ela agora pode vir a usufruir justamente dos bens acumulados por ele em vida.
Enquanto a disputa avança nos tribunais, o paradeiro de Andreas von Richthofen, irmão de Suzane e sobrinho de Miguel, permanece um mistério. Procurado para assumir o papel de inventariante, Andreas não foi localizado por advogados ou familiares. Relatos indicam que ele vive em isolamento total em um sÃtio no interior de São Paulo, sem acesso a eletricidade ou internet desde o perÃodo da pandemia.
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Paralelamente, a PolÃcia Civil de São Paulo segue investigando as circunstâncias do falecimento do médico como morte suspeita, uma vez que o corpo foi encontrado em avançado estado de decomposição e o atestado de óbito registrou a causa como indeterminada, aguardando exames complementares.