Suposto esquema põe Dersa em xeque

Quatorze funcionários teriam seus nomes listados no MP, TCE e Polícia Civil

Dois relatórios detalhados, com autores identificados, foram encaminhados ao Ministério Público, à Polícia Civil ao Tribunal de Contas e Governo do Estado de São Paulo, simultaneamente, denunciando suposto esquema de venda clandestina de resíduos sólidos e líquidos dentro da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), empresa que opera as travessias litorâneas no Estado. A empresa não se manifestou até o fechamento da edição.

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A denúncia pode colocar novamente em evidência a privatização, ou não, da Dersa, processo proposto pelo governador João Doria (PSDB) e que se encontra ‘adormecido’ na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

Os relatos em questão já foram enviados à Ouvidoria e Auditoria da empresa, bem como para a Secretaria de Logística e Transportes do Estado. Eles foram obtidos com exclusividade pela Reportagem, que confirmou as informações com outros funcionários da Dersa. “Isso já deveria ter sido tornado público”, revelou um dos consultados.

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Segundo o funcionário denunciante, o esquema é operacionalizado por um grupo de 14 de funcionários, boa parte em cargos de chefia. São apontados nominalmente, junto com empresas envolvidas.

Conforme explica, o grupo mantém contato extraoficial com empresas de descarte de chapas, peças, motores, óleo e água contaminada. Depois de tudo acertado, “obrigam demais subordinados, como eu, a fazer vista grossa e aceitar o esquema que é vender material como sucata. Os materiais são comercializados de forma irregular dentro das instalações da própria Dersa e o pagamento é feito em espécie (dinheiro)”, afirma o funcionário.

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Segundo o denunciante, periodicamente, a empresa compradora da sucata coloca uma caçamba dentro do estaleiro da Dersa. Após a negociação, uma funcionária fica responsável em programar a retirada da caçamba e recebimento do dinheiro. “A pesagem é feita por funcionário da Dersa, sendo o pagamento feito em espécie para evitar provas”, conta, alertando que uma conta bancária teria sido criada especialmente para o suposto esquema, que também negocia serviços terceirizados, como pintura de embarcações e reformas de reversores.

Fachada

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O denunciante garante que uma empresa de fachada foi criada pelo grupo para participar de uma licitação de na ordem de R$ 10 milhões. Ainda consta na denúncia reformas de carros de docagem, de banheiros e abrigos de pedestres fora dos contratos de manutenção e por preços acima de mercado.

“Outra forma de gerar dinheiro ilícito dentro do esquema é a venda de resíduo oleoso dos tanques de combustível das embarcações, onde o serviço é pago com combustível de óleo diesel marítimo, utilizado como ‘moeda corrente’ para empresas que fazem destinação de resíduos oleosos, água contaminada retiradas das salas de máquinas e dejetos das balsas que possuem banheiros”, afirma, alertando que tudo pode ser verificado através das câmeras de monitoramento da empresa e controle de entrada e saída de veículos do estaleiro, além de testemunhas das empresas de coleta.

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Segundo o denunciante, a compra de óleo lubrificante é feita de forma fracionada para evitar licitação dentro do contrato de manutenção. “Existe contrato de manutenção e compra de peças de motores e reversores, com serviços feitos dentro das instalações da Dersa. Porém, para facilitar o esquema de troca, venda e sucateamento de peças, motores e reversores, fazem tudo fora da empresa para evitar ‘visitas inesperadas e denúncias’. Usam um subordinado que acompanha todo esquema que acontece externamente”, explica.

Patrimônio

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Segundo o denunciante, nos meses de fevereiro e março, foram retirados do estaleiro de Vicente de Carvalho vários motores, reversores, armários e demais bens e equipamentos com número de patrimônio da Dersa e do Departamento Hidroviário de São Paulo. Eles teriam sido sucateados. Muitos possuíam penhoras judiciais e fiéis depositários.

“Além de vender, o grupo violou as ordens judiciais e patrimoniais desses equipamentos. Para comprovar, basta solicitar uma lista oficial atualizada na gestão anterior de patrimônio (2018) de todos os bens da DERSA e fazer uma simples conferencia no local”, aconselha.

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Ele denuncia que a FB 19 teve seus motores retirados para serem instalados novos motores modelo DI-13 em meados de 2019. No entanto, “os retirados foram vendidos de forma irregular e clandestina. Basta verificar a numeração dos quatro motores retirados da balsa e fazer um levantamento dos patrimônios da Dersa”, instrui. Ele também aponta irregularidades FB 20 e 24.

O funcionário informa que colegas da operação e manutenção diariamente sofrem ameaças de demissão pelo grupo.

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Finalizando, afirma que o grupo já estaria sabendo da denúncia e que já estaria se reunindo sistematicamente para responder as acusações em juízo de forma combinada. “Todos permanecem em suas funções e tudo está abafado, deixando a Ouvidoria e Auditoria sem força para agir de maneira imparcial pois nenhuma sindicância foi instaurada”, diz o denunciante.

Dersa

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Em nota, a Dersa informa que “não existe nenhum esquema de venda clandestina de resíduos dentro da empresa, e que em março, abriu uma sindicância interna para apurar uma suposta acusação, repetida agora. A investigação segue os prazos processuais internos.

Cabe esclarecer que a nova gestão da Dersa, que assumiu em janeiro de 2019, trabalha no sentido de melhorar a prestação do serviço à população e a gestão do gasto público. A melhora da operação com serviços de manutenção geraram economia jamais vista na história da Dersa. 

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Em 2019, foram investidos R$ 17 milhões nesses serviços. Em seis meses deste ano, a manutenção atinge menos de 1/5 deste valor, R$ 3 milhões.

Em janeiro do ano passado, a frota de embarcações das Travessias Litorâneas estava sucateada. Balsas e lanchas quebravam praticamente todos os dias. Para piorar, quase metade de sua frota estava inoperante havia meses – e, em alguns casos, havia anos -, o que só gerava constantes atrasos aos milhares de usuários que dependem diariamente do transporte das 8 travessias no litoral sul e norte e Baixada Santista. Este conjunto de problemas resultava em altos índices de ruim e péssimo, segundo pesquisas de opinião.

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Após amplo trabalho de reestruturação, o sistema de travessias opera com tempos de embarque mínimos, funciona de forma inédita com 27 de suas 29 embarcações e com alta qualidade nos serviços de manutenção. Segundo a última pesquisa de opinião, de fevereiro, os índices de ruim e péssimo chegaram próximo a zero.

Por fim, cabe lembrar ainda que a nova gestão não compactua com irregularidades como estas apontadas pelo missivista. Tanto que instituiu um canal exclusivo para o envio de denúncias de práticas de corrupção, fraudes e outros atos ilícitos que atentam o Código de Conduta e Integridade da Companhia, que conta ainda com os trabalhos de Ouvidoria da Dersa.”