Cotidiano

Supertufão no Pacífico chama atenção para o litoral de SP

A análise aponta sinais de um Pacífico mais quente e de um oceano capaz de alimentar tempestades cada vez mais intensas

Jeferson Marques

Publicado em 14/04/2026 às 17:15

Atualizado em 14/04/2026 às 18:16

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Mar agitado em Guarujá, no litoral paulista, após movimentações marítimas de ressaca / Foto de Anderson Martins/Pexels

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Um supertufão que avançou pelo Pacífico Oeste em meio a águas excepcionalmente quentes reacendeu o debate sobre a força do oceano e seus reflexos no clima global. O fenômeno, que se intensificou rapidamente, é observado por meteorologistas como um sinal da energia acumulada no mar, e isso interessa também ao litoral de São Paulo.

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Embora o sistema não represente risco direto ao Brasil, ele ajuda a ilustrar como o aquecimento dos oceanos pode favorecer eventos extremos. No caso paulista, a discussão não é sobre impacto imediato do tufão, mas sobre o que esse tipo de episódio revela a respeito da dinâmica do clima e de possíveis reflexos indiretos sobre a costa brasileira.

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Pacífico mais quente

O supertufão se formou em uma área do Pacífico onde as temperaturas da superfície do mar estavam muito acima da média. Esse excesso de calor funciona como combustível para ciclones tropicais, permitindo que eles ganhem força em pouco tempo.

Imagem real de satélite mostra o tufão se formando no Pacífico - Divulgação/JTWC

Segundo análises meteorológicas recentes, a intensificação explosiva de tempestades está associada a oceanos mais quentes e a uma atmosfera mais favorável à organização desses sistemas. É justamente esse ambiente que chama a atenção dos especialistas quando o assunto é o Pacífico.

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O que isso tem a ver com SP

Para o litoral de São Paulo, o interesse está no comportamento mais amplo do clima oceânico. Fenômenos extremos no Pacífico ajudam a entender como o sistema atmosférico global se reorganiza e como determinados padrões podem repercutir em outras regiões, inclusive no Atlântico Sul.

Meteorologistas explicam que o Pacífico e o Atlântico não atuam de forma isolada. Mudanças na distribuição de calor, na circulação dos ventos e na interação entre oceano e atmosfera podem influenciar, em graus diferentes, frentes frias, ventos e episódios de chuva em áreas costeiras do Sudeste.

Por sinal, Santos já vive outro fenômeno relacionado as altas temperaturas na cidade, chamado de "Ilhas de Calor".

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Sinal de um oceano mais energético

Estudos recentes apontam que a intensificação rápida de ciclones tropicais pode se tornar mais frequente em um cenário de aquecimento dos oceanos. A literatura científica sobre o tema mostra que mares mais quentes oferecem mais energia para tempestades, o que aumenta a chance de sistemas mais violentos.

Relatórios do IPCC e pesquisas publicadas nos últimos anos também reforçam que o aquecimento do oceano é um dos principais fatores de risco para a intensificação de eventos extremos. Isso não significa que um supertufão distante vá causar um efeito direto no litoral paulista, mas indica que o planeta opera em um sistema cada vez mais carregado de energia.

Como efeito reflexo do aquecimento, a capital paulista sofrerá consequências automáticas das mudanças oceânicas no seu litoral, com mais episódios de chuvas de forte intensidade e temporais.

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O aquecimento do Pacífico reflete em mais episódios climáticos extremos no litoral de SP, como frentes frias e ressacas - Lensloji/Pexels

Leitura para o litoral paulista

No caso do litoral de SP, a pauta ganha força porque a região é sensível a mudanças no mar e na atmosfera. Ressacas, ventos fortes e episódios de chuva intensa já fazem parte da rotina costeira, e qualquer alteração no padrão climático global é acompanhada de perto pelos meteorologistas.

A ocorrência do supertufão no Pacífico, portanto, funciona como um exemplo extremo de um oceano em alta temperatura e de uma atmosfera propícia a tempestades mais agressivas. Para os especialistas, é esse tipo de cenário que precisa ser monitorado quando se quer entender o comportamento do clima nos próximos meses.

Fontes pesquisadas

  • NOAA, que monitora a temperatura da superfície do mar e a dinâmica oceânica no Pacífico.
  • JTWC (Joint Typhoon Warning Center), responsável por acompanhar ciclones tropicais no Pacífico Oeste.
  • IPCC, cujos relatórios mais recentes destacam o papel do aquecimento dos oceanos na intensificação de eventos extremos.
  • Artigos científicos publicados em 2023 e 2024 sobre intensificação rápida de ciclones tropicais em mares mais quentes.

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