Cotidiano
O animal vive escondido nas regiões mais remotas do deserto australiano e possui hábitos noturnos, fator que ajudou a mantê-lo longe dos olhos humanos por tanto tempo
O papagaio-noturno (Pezoporus occidentalis), uma das espécies mais misteriosas do planeta, foi redescoberto no interior da Austrália / Imagem gerada por IA
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Uma ave considerada praticamente extinta por mais de um século voltou a surpreender cientistas e reacender o alerta global sobre conservação. O papagaio-noturno (Pezoporus occidentalis), uma das espécies mais misteriosas do planeta, foi redescoberto no interior da Austrália após décadas sem registros consistentes.
O animal, pequeno e de coloração verde-amarelada, vive escondido nas regiões mais remotas do deserto australiano e possui hábitos noturnos, fator que ajudou a mantê-lo longe dos olhos humanos por tanto tempo.
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A redescoberta aconteceu em uma área indígena protegida chamada Ngururrpa, onde pesquisadores instalaram gravadores de áudio à prova d’água entre 2018 e 2023. A estratégia permitiu identificar os chamados característicos da ave, descritos como sons semelhantes a um telefone ou a um sino.
Com base nesses registros, armadilhas fotográficas foram posicionadas nos locais corretos e confirmaram a presença da espécie em 17 dos 31 pontos analisados, distribuídos por uma vasta área do deserto.
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O levantamento indicou a existência de cerca de 40 a 50 indivíduos, formando a maior população conhecida no mundo atualmente.
O papagaio-noturno é considerado uma das aves mais esquivas e enigmáticas do mundo. Sem avistamentos confirmados entre 1912 e 1979, a espécie chegou a ser tratada como extinta por muitos especialistas.
Mesmo hoje, seu comportamento discreto, vivendo no solo e se movimentando apenas à noite, torna qualquer estudo extremamente difícil.
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O papagaio-noturno é considerado uma das aves mais esquivas e enigmáticas do mundoA sobrevivência da espécie depende de um habitat muito específico: densas touceiras de capim-espinhoso conhecidas como spinifex. Essas formações criam uma espécie de “cúpula natural”, oferecendo proteção contra predadores e temperaturas extremas.
O problema é que esse tipo de vegetação leva anos para se formar e pode ser destruído rapidamente.
Entre os principais riscos para o papagaio-noturno estão os incêndios naturais frequentes no deserto, que impedem o crescimento da vegetação necessária para sua sobrevivência.
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Outro perigo vem de predadores invasores, como gatos selvagens, que atacam os filhotes. Curiosamente, os dingos, cães selvagens nativos da Austrália, ajudam a proteger a espécie ao controlar esses felinos, mantendo o equilíbrio do ecossistema.
A espécie segue classificada como ameaçada de extinçãoApesar da descoberta animadora, a situação ainda é crítica. A espécie segue classificada como ameaçada de extinção, com uma população global estimada entre poucas dezenas e algumas centenas de indivíduos.
Especialistas alertam que um único evento extremo, como uma grande queimada, pode comprometer toda a colônia recém-identificada.
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A redescoberta do papagaio-noturno reforça a importância da união entre tecnologia moderna e conhecimento tradicional das comunidades indígenas na preservação da biodiversidade.
Mais do que um achado científico, o caso simboliza uma mensagem poderosa: mesmo espécies consideradas perdidas podem sobreviver — desde que seus habitats sejam protegidos.