Suman vai auditar contas da Prefeitura de Guarujá em 2017

A revelação ocorreu na entrevista coletiva com sua equipe de transição no final da tarde de ontem

Guarujá: uma cidade, duas versões. Em menos de 48 horas, a prefeita Maria Antonieta de Brito (PMDB) e o futuro prefeito Valter Suman (PSB) apresentaram realidades socioeconômicas diferentes de Guarujá. A atual chefe do Executivo garante que a Cidade está saudável, com cerca de R$ 300 milhões em verbas carimbadas para obras, certidões e pagamentos de precatórios em dia e dívidas com alguns fornecedores regularizadas. Já o próximo administrador garante que deverá fechar o ano sem garantia dos empenhos, algumas certidões em aberto, precatórios pagos a menor e, até o final do ano, R$ 90 milhões em dívidas com fornecedores.

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O resultado das duas versões não poderia dar resultado diferente. Ontem, em entrevista coletiva para apresentar o resultado dos trabalhos da equipe de transição de governo, Suman garantiu que cerca de 50% dos questionamentos sobre a real situação do Município não foram respondidos pela equipe da prefeita e que deverá promover uma auditoria na Prefeitura, além de realizar um plano emergencial para, em 90 dias, mudar a situação dramática da Cidade.

Num relatório apresentado à Imprensa, o médico e futuro prefeito informa que até o final do ano, poderão ser sequestrados cerca de R$ 7 milhões dos cofres públicos dos R$ 520 milhões em dívidas com precatórios pelo pagamento incorreto do compromisso. Além disso, não há contrato com o serviço de transporte público; inexistência de contingenciamento para o exercício de 2017 e uma infinidade de outros problemas.

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Segundo o médico, há um grande desabastecimento no Município próximo de uma temporada de verão envolvendo obras paralisadas, falta de materiais de limpeza, limitação de gasolina, suspensão do contrato de zeladoria, de tapa-buracos, do cemitério, atraso no contrato de limpeza urbana e do Hospital Santo Amaro, além da falta de médicos e de remédios e dezenas de outros problemas, envolvendo as mais diversas áreas, principalmente zeladoria, saúde e educação.

“Vamos abrir os armários e encontrar diversos esqueletos dentro. Não houve transparência, nossa equipe não obteve todas as informações pois foi impedida de falar com os funcionários. Enfim, vamos ter muitas dificuldades no início de governo”, disparou Suman, alertando que não houve transparência do atual governo.

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Suman permitiu, durante a entrevista, que membros de sua equipe de transição e futuros secretários apontassem os pontos mais críticos da administração. Carlos Henrique Fonseca, por exemplo, foi direto: “O orçamento da Prefeitura (R$ 1,2 bilhão) é uma peça de ficção. Estão vendendo o almoço para comprar a janta. Nenhuma iniciativa foi feita para melhorar a receita sem aumentar impostos. A imagem da Cidade se espelha nas ruas. Vamos ter que, além da auditoria, realizar um diagnóstico situacional do Município e desenvolver prioridades”, finalizou, não descartando a possibilidade de rever todos os contratos.

Antonieta

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Em entrevista no Paço Municipal e com o balanço de seus oito anos de governo em mãos, a prefeita Maria Antonieta apresentou uma versão totalmente diferente. Disse que as certidões estão em dia, ratificou os cerca R$ 300 milhões em obras em andamento e em processo de licitação principalmente nas áreas de habitação e infraestrutura.

Antonieta mostrou até um mapa das obras. “Suman vai abrir o governo com obras acontecendo em diversos pontos do Município”, disse.

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A prefeita disse que as dívidas com fornecedores, precatórios e previdência estão equacionadas, que os salários dos seis mil servidores estão em dia e que não deve ter dificuldades em pagar o 13º salário, que deve ser honrado na próxima terça-feira. “Eu vou publicar todas as certidões pagas. Se não estivessem pagas, não conseguiríamos receber verbas e desenvolver projetos”, disse.

Sobre os serviços essenciais como a coleta de lixo e atendimento de saúde, a prefeita garantiu que a Cidade não terá problemas.

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“Só tenho duas parcelas do contrato do lixo em aberto, o que considero uma boa situação diante de outros municípios”, revelou, alertando que quando assumiu o município, em 2009, o orçamento era de R$ 600 milhões e atualmente ultrapassa R$ 1 bilhão. “Isso é resultado de estímulos aos mecanismos de controle e fiscalização. O Imposto Sobre Serviço (ISS), que estava em quarto lugar em arrecadação, na minha gestão ser tornou o segundo, depois do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU)”, revelou.

Maria Antonieta disse que sua gestão teve problemas, mas sempre enfrentou com muita austeridade os relacionados à saúde e educação, o que acabou prejudicando a zeladoria da Cidade.

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“O cobertor é curto. Um gestor tem que ter prioridade. As minhas foram manter salários e contratos essenciais em dia; abrigos equipados, projetos assistenciais funcionando e garantir investimentos. Mato alto não é bom de ser visto, mas existe problemas que não podem ser negligenciados. Entre o serviço de saúde funcionando e cortar o mato nas ruas, vou escolher atender as pessoas. Tenho 30 bebês órfãos num abrigo que são minha responsabilidade e não pode faltar nada”, exemplifica.

Para finalizar, a prefeita Maria Antonieta disse que apesar das dificuldades, está tranquila com relação a situação socioeconômica de Guarujá, fez o melhor que pode e que conseguiu promover inúmeros avanços, sendo que um dos principais deve ocorrer nos próximos dias.

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“Estamos finalizando a análise dos documentos do aeroporto e devemos abrir os envelopes para a elaboração do projeto de construção. Isso significa que deveremos assinar os contratos de início das obras até o final do ano”.