Cotidiano
Um novo levantamento da USP, o Urban Adaptation Index (UAI), analisou mais de 5,5 mil municípios e o veredito é preocupante: a prevenção de desastres ainda é exceção, não a regra
O Brasil vive um novo normal de enchentes, secas severas e ondas de calor, mas a maioria das nossas cidades ainda está 'de mãos atadas' / Reprodução: YouTube
Continua depois da publicidade
O Brasil vive um novo normal de enchentes, secas severas e ondas de calor, mas a maioria das nossas cidades ainda está 'de mãos atadas'. Um novo levantamento da USP, o Urban Adaptation Index (UAI), analisou mais de 5,5 mil municípios e o veredito é preocupante: a prevenção de desastres ainda é exceção, não a regra.
Confira também estudo que aponta que manguezais podem ser caminho para combate a mudanças climáticas
Continua depois da publicidade
O estudo avaliou como as prefeituras lidam com habitação, mobilidade e gestão ambiental. Os dados mostram um abismo entre o que está no papel e a realidade das ruas:
Falta de Planos: Menos de 13% das cidades possuem planos estruturados para redução de riscos.
Continua depois da publicidade
Reação tardia: A maioria dos prefeitos só age depois que o desastre acontece, em vez de investir em mapeamento de encostas e margens de rios.
Abismo Social: Mesmo em cidades com boas notas, como São Paulo e Brasília, a proteção não chega às periferias, deixando as populações vulneráveis à própria sorte.
A pesquisa destaca que não basta ter uma lei aprovada. O problema real é a capacidade de execução.
Continua depois da publicidade
Cartas Geotécnicas: A ausência desse documento impede que a cidade saiba exatamente onde o solo pode deslizar.
Habitação Desatualizada: 60% dos municípios não possuem planos de habitação modernos, o que favorece ocupações em áreas de risco.
Recursos Escassos: Cidades menores sofrem com a falta de verba técnica para tirar os projetos de adaptação do papel.
Continua depois da publicidade
Para a professora Gabriela Di Giulio (USP), coordenadora do estudo, o desafio brasileiro é estrutural. "A capacidade adaptativa não é apenas presença institucional, é a habilidade real de transformar política em proteção concreta", afirma.
Com a intensificação dos eventos extremos em 2026, o índice serve como um alerta urgente para gestores e cidadãos: o tempo de planejar está acabando antes que o próximo desastre chegue.