Sua casa corre risco? Menos de 15% dos municípios têm plano contra desastres, mostra levantamento

Um novo levantamento da USP, o Urban Adaptation Index (UAI), analisou mais de 5,5 mil municípios e o veredito é preocupante: a prevenção de desastres ainda é exceção, não a regra

O Brasil vive um novo normal de enchentes, secas severas e ondas de calor, mas a maioria das nossas cidades ainda está 'de mãos atadas'

O Brasil vive um novo normal de enchentes, secas severas e ondas de calor, mas a maioria das nossas cidades ainda está 'de mãos atadas' | Reprodução: YouTube

O Brasil vive um novo normal de enchentes, secas severas e ondas de calor, mas a maioria das nossas cidades ainda está ‘de mãos atadas’. Um novo levantamento da USP, o Urban Adaptation Index (UAI), analisou mais de 5,5 mil municípios e o veredito é preocupante: a prevenção de desastres ainda é exceção, não a regra.

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O ‘Raio-X’ da vulnerabilidade brasileira

O estudo avaliou como as prefeituras lidam com habitação, mobilidade e gestão ambiental. Os dados mostram um abismo entre o que está no papel e a realidade das ruas:

  • Falta de Planos: Menos de 13% das cidades possuem planos estruturados para redução de riscos.

  • Reação tardia: A maioria dos prefeitos só age depois que o desastre acontece, em vez de investir em mapeamento de encostas e margens de rios.

  • Abismo Social: Mesmo em cidades com boas notas, como São Paulo e Brasília, a proteção não chega às periferias, deixando as populações vulneráveis à própria sorte.

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Onde estão os maiores gargalos?

A pesquisa destaca que não basta ter uma lei aprovada. O problema real é a capacidade de execução.

  1. Cartas Geotécnicas: A ausência desse documento impede que a cidade saiba exatamente onde o solo pode deslizar.

  2. Habitação Desatualizada: 60% dos municípios não possuem planos de habitação modernos, o que favorece ocupações em áreas de risco.

  3. Recursos Escassos: Cidades menores sofrem com a falta de verba técnica para tirar os projetos de adaptação do papel.

‘Política no papel não salva vidas’

Para a professora Gabriela Di Giulio (USP), coordenadora do estudo, o desafio brasileiro é estrutural. “A capacidade adaptativa não é apenas presença institucional, é a habilidade real de transformar política em proteção concreta”, afirma.

Com a intensificação dos eventos extremos em 2026, o índice serve como um alerta urgente para gestores e cidadãos: o tempo de planejar está acabando antes que o próximo desastre chegue.