Sobreviventes de Hiroshima protagonizam peça teatral

O espetáculo, dirigido por Rogério Nagai, será encenado em Santos no próximo dia 31, no Teatro Coliseu

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21 AGO 2019Por Luiza de Oliveira08h30
Peça teatral é pioneira no formato, contando com, além das narrativas, reflexões acerca da paz e sua importânciaFoto: Reprodução/Youtube

"Não queremos bomba atômica, queremos paz'. A frase, dita por Junko Watanabe, de 76 anos, e Takashi Morita, de 95, consta no novo teaser da peça teatral Os Três Sobreviventes de Hiroshima. Dirigido por Rogério Nagai, idealizador do projeto Sobreviventes pela Paz, o espetáculo tem como cenário os bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki, ocorridos em 1945.

Protagonizada pelos próprios sobreviventes, Takashi Morita, Kunihiko Bonkohara e Junko Watanabe, a peça narra o acontecimento de maneira documental, com depoimentos acerca de suas próprias lembranças do acontecido. Imigrantes pós-guerra, eles revelam o que aconteceu naquela tarde, sob suas perspectivas e vivências.

Naquela manhã do dia 6 de agosto de 1945, Junko Watanabe, na época com apenas dois anos de idade, brincava em uma vila a 18 km de Hiroshima. Ela se recorda de observar diversos papéis ao vento, muitos deles com aspecto queimado e, após isso, apenas escuridão. "Meus pais já pensavam que iríamos morrer", conta Junko.

Já Kunihiko Bonkohara, lembra da cena de horror presenciada por seus olhos ainda muito novos para tal cena. Com cinco anos no período, Bonkohara estava acompanhado de seu pai quando os dois observaram o clarão causado pela bomba. Após se protegerem, perceberam estar machucados. Kunihiko narra a ida até um rio para se lavarem, e, no caminho, avistam centenas de mortos e mutilados.

Takashi Morita, por sua vez, se encontrava a 1,3 km do local, onde atuava como soldado do exército japonês. Arremessado a aproximadamente 10 metros do lugar no qual se encontrava, ele relata ter ajudado, logo em seguida à explosão, no resgate de crianças e vítimas ali presentes.

Graduado em Ciências da Computação pela Universidade Santa Cecília, Rogério Nagai se aproximou do teatro ao fazer parte do Teatro experimental de pesquisas - TEP, um dos grupos mais antigos em atividade no município de Santos. Contemplados por uma lei de incentivo à cultura da região para produzir um espetáculo que envolvesse a imigração japonesa, o grupo teatral optou por estudar o incidente responsável por dizimar pelo menos 140 mil pessoas.

Neto de uma japonesa natural de Hiroshima, Nagai tinha como propósito pegar depoimentos de filhos e netos. Para sua surpresa, ao entrar em contato com a Associação Hibakusha Brasil Pela Paz, descobriu haver 116 pessoas que se adequavam.

Interpretada pelos próprios supérstites, a peça teatral é pioneira no formato, contando com, além das narrativas, reflexões acerca da paz e sua importância.

O espetáculo será apresentado no próximo dia 31, no Teatro Coliseu e tem início às 20h. Os ingressos custam R$ 60 a inteira e podem ser adquiridos online ou diretamente na Associação Japonesa de Santos.