Sindicato denuncia possível privatização da Capep-Saúde

Além disso, afirmam que há intenção de aumentar a contribuição dos servidores com a Caixa

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24 NOV 2017Por Da Reportagem10h26
Sindicato denuncia possível privatização da Capep-SaúdeFoto: Divulgação

Os diretores executivos do Sindicato dos Servidores Estatutários Municipais de Santos (Sindest), José Antônio Ferreira e Josias Aparecido da Silva, denunciaram ontem que a Prefeitura pretende vender a carteira de mutuários da Caixa de Pecúlios dos Servidores Públicos (Capep) à iniciativa privada. Além disso, afirmam que há intenção de aumentar a contribuição dos servidores com a Caixa.

Segundo eles, a Capep deve mais de R$ 4 milhões a hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios, consultórios e outras empresas de saúde da cidade. Ferreira e Silva explicam, por outro lado, que a Prefeitura deve à Capep mais de R$ 6 milhões. Eles querem que o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) esclareça a situação.

Silva informa que soube que o presidente da Capep, Eustázio Alves Pereira Filho, sondou alguns vereadores sobre a intenção da Prefeitura de aprovar na Câmara modificações na legislação sobre a Caixa.

Essas mudanças, num primeiro momento, segundo o sindicalista, seriam para aumentar a contribuição dos servidores com a Capep. Atualmente, a categoria paga 3% do salário e a Prefeitura 4%.

O Sindserv e a diretoria lamentam que a categoria vem sofrendo enormes problemas nas internações e atendimentos para cirurgias e tratamentos diversos. Segundo Ferreira, “o funcionalismo está há um mês sem direito de fazer cirurgia eletiva na Santa Casa. Isso é um caso sério, uma desumanidade, uma injustiça”, dispara

Silva revela que uma servidora “está há 90 dias gemendo de dor na coluna, de cama, sem trabalhar. Mas a Capep inexplicavelmente não autoriza e cirurgia, mantendo seu padecimento”. Se um internado tiver que fazer um exame fora do hospital, denuncia Ferreira, tem que arcar com o transporte, pois a Capep e o hospital não assumem essa responsabilidade. Nesses casos, pondera o sindicalista, “os pacientes, sem condições físicas de locomoção e sem possibilidades financeiras de pagar por uma ambulância particular, ficam sem saída”.

Não paga

Josias da Silva lembra que quando o sindicato, em 2016, anunciou a dívida da Capep, Eustázio e a Prefeitura negaram. No entanto, ela acabou parcelando um débito após negociação com a Santa Casa. Esse parcelamento, segundo o sindicalista, não está sendo pago. Segundo Silva, havia uma auditoria contratada pela Capep, mas que teve o contrato rompido. “A empresa entrou na Justiça e ganhou. Agora, a Capep paga por algo que não usa”.

Ações

O sindicalista revela que muitos servidores têm movido ações contra a Capep, exigindo o direito de atendimento médico, a quem a Justiça dá ganho de causa. “Os desmandos ocorrem sem aval dos conselhos Administrativo e Fiscal”, destaca Josias da Silva.

Ferreira critica o excesso de gastos em contas altíssimas de laboratórios de análises clínicas, de até R$ 200 mil. “Isso é um absurdo, pois a maioria dos exames tem validade de 30 dias”,  lamenta Ferreira, que quer saber ainda quanto a Capep gasta com a chamada Casa do Servidor, “cuja funcionalidade é zero. Poderia alugar o espaço ou fazer pré-atendimento”, finaliza.

Prefeitura

Em nota, Eustázio Alvez Pereira esclarece que não procede as informações sobre “venda de carteira”, nem de aumento das contribuições dos servidores. “A Capep-Saúde vem trabalhando para otimizar os serviços dentre os recursos que lhe são disponíveis”, finaliza.