Sindicato denuncia assédio em cemitério de Santos

Jeir Santabárbara de Almeida sofreu um acidente vascular cerebral e está internado desde terça-feira (30), no Hospital São Lucas

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06 FEV 2018Por Da Reportagem08h00
Os sindicalistas dizem que os servidores desses equipamentos têm que lavar suas roupas de trabalho em casa, contaminadas por bactérias e muito sujasFoto: Divulgação

O coveiro do Cemitério da Areia Branca, em Santos, Jeir Santabárbara de Almeida, teria sido vítima de assédio por se recusar a fazer serviço de limpeza e jardinagem. Ele sofreu um acidente vascular cerebral e está internado desde terça-feira (30), no Hospital São Lucas. Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Estatutários (Sindest), Fábio Marcelo Pimentel, seu estado é preocupante e outros funcionários também estariam sofrendo o problema.

Fábio soube, pelo diretor Pedro Rodrigues da Matta, que o sepultador teve paralisia do lado direito do corpo. Se tivesse sido no lado esquerdo, ele poderia ter perdido a voz e a memória, segundo o médico de plantão. Os sindicalistas lamentam que Jeir, de 49 anos, esteja com um coágulo estacionado na altura do pescoço. E acreditam que o problema surgiu após a perseguição e assédio por parte da chefia do ­cemitério.

“Todos sabem que muitas doenças são psicossomáticas, às vezes causadas por fatores que geram grandes preocupações. E esse é o caso em questão”, diz Pimentel. Matta lembra que, além de enquadrar o servidor num inquérito administrativo, a chefia e a Coordenação de Cemitérios da Prefeitura cortaram suas horas extras, diminuindo o ganho mensal.

Providências

Pimentel espera que o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) e o secretário municipal de Gestão, Carlos Teixeira Filho ‘Cacá’, tomem providências sobre esse e outros problemas nos cemitérios municipais, pois já possuem relatório detalhado do que está ocorrendo. Os sindicalistas dizem que os servidores desses equipamentos têm que lavar suas roupas de trabalho em casa, contaminadas por bactérias e muito sujas, quando isso deveria ser providenciado pela ­Prefeitura.

No cemitério

Em visita ao cemitério após o fato ocorrido com o coveiro, os diretores do Sindest obteve um papel sem timbre, mostrado pela chefia, dizendo que as atribuições de limpeza e jardinagem cabem também aos sepultadores. Segundo os sindicalistas, foi informado que a tarefa é prevista na classificação brasileira de ocupações do Ministério do Trabalho. Pior: ouviram que havia iniciado processo para normatizar a atividade. Convencidos de que as atribuições são de ajudantes de limpeza e jardineiros, os dirigentes procuraram a Coordenação de cemitérios da Prefeitura, que abriu processo de insubordinação contra o coveiro.

O Sindest ainda esteve nos cemitérios Filosofia e do Paquetá, procurando em seguida Cacá. Segundo o diretor Carlos Nobre, o Departamento de Recursos Humanos da Prefeitura se pronunciou no processo específico sobre as atribuições dos sepultadores e, em seu parecer, não constava limpeza e jardinagem. “Não se pode querer implantar desvio de função aos ­sepultadores”, alerta.

Pedro da Mata, por sua vez, adverte que há falta de guardas municipais nos cemitérios e isso prejudica a própria população, alertando para a ocorrência de assaltos armados nos locais. “Estamos aguardando o desfecho do caso e uma resposta da Prefeitura para deliberar sobre o futuro da luta reivindicatória desses sofridos trabalhadores”, finaliza Pimentel.

Prefeitura

Procurada, a Prefeitura informa, via Assessoria de Imprensa, que os responsáveis por fazer a capinação e limpeza dos cemitérios são os auxiliares de serviços gerais ou frente de trabalho. Quando se trata de sepulturas abandonadas, a capinação, raspação e limpeza estão nas atribuições do cargo de sepultador (coveiro). No Cemitério da Filosofia, são: nove sepultadores, um auxiliar de serviços gerais e um frente de ­trabalho.

Sobre a questão do mato a limpeza é feita regularmente e o quadro de funcionários será ampliado devido chamamento de concurso público vigente. A Secretaria de Segurança informa que os três cemitérios são cobertos atualmente com rondas, estando sempre à disposição também pelo telefone 153 para chamadas ou denúncias direto ao Monitoramento.

No caso do servidor Jeir Santabarbara de Almeida, segundo boletim médico o AVC foi ocasionado por problemas de saúde como: pressão alta e diabetes. O servidor teve toda atenção e pronto atendimento e a Coordenadoria de Cemitérios está acompanhando o seu caso.