Cotidiano

Sinal misterioso vindo do espaço é detectado após ficar 33 anos escondido da ciência

Um objeto a 15 mil anos-luz da Terra emite pulsos de rádio a cada 22 minutos e desafia tudo o que astrônomos sabem sobre o universo

Giovanna Camiotto

Publicado em 12/03/2026 às 18:18

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Astrônomos identificaram um objeto espacial incomum que emite rajadas de ondas de rádio / Pexels

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Astrônomos identificaram um objeto espacial incomum que emite rajadas de ondas de rádio há mais de três décadas. A descoberta desafia teorias sobre alguns dos corpos mais extremos do Universo e pode representar um tipo raro de estrela ainda pouco compreendido.

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O objeto, batizado de GPM J1839-10, foi detectado por pesquisadores da Curtin University e do International Centre for Radio Astronomy Research. Ele está localizado a cerca de 15 mil anos-luz da Terra, na constelação de Scutum.

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As observações mostram que o objeto libera pulsos intensos de ondas de rádio a cada 22 minutos. Cada emissão dura cerca de cinco minutos, um comportamento considerado incomum para fenômenos conhecidos.

A primeira pista surgiu em 2018, quando o estudante de doutorado Tyrone O'Doherty identificou um sinal estranho em dados de radiotelescópios. Inicialmente, os pesquisadores acreditaram que poderia se tratar de um remanescente estelar, como uma estrela de nêutrons ou uma anã branca com campo magnético intenso.

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O objeto GPM J1839-10 emite pulsos de energia a cada 22 minutos /Pexels
O objeto GPM J1839-10 emite pulsos de energia a cada 22 minutos /Pexels
Sinais foram detectados por radiotelescópios como o MeerKAT /Pexels
Sinais foram detectados por radiotelescópios como o MeerKAT /Pexels
Registros do fenômeno existem desde 1988 em observatórios como o Very Large Array /Pexels
Registros do fenômeno existem desde 1988 em observatórios como o Very Large Array /Pexels
Descoberta foi publicada na revista científica Nature e intriga astrônomos /Pexels
Descoberta foi publicada na revista científica Nature e intriga astrônomos /Pexels
O estudo que descreve a descoberta foi publicado na revista científica Nature/Pexels
O estudo que descreve a descoberta foi publicado na revista científica Nature/Pexels

Possível magnetar

A hipótese mais provável é que o objeto seja um magnetar, um tipo raro de estrela com campos magnéticos extremamente fortes capazes de liberar rajadas poderosas de energia. O problema é que o comportamento observado não corresponde ao que os cientistas esperam desse tipo de objeto.

Segundo a pesquisadora Natasha HurleyWalker, da Curtin University, magnetares conhecidos costumam liberar energia em pulsos que duram apenas segundos ou poucos minutos.

No caso do GPM J1839-10, os sinais persistem por períodos muito maiores. O estudo que descreve a descoberta foi publicado na revista científica Nature.

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Sinais registrados desde 1988

Ao investigar arquivos de observações antigas, os cientistas perceberam que o objeto já havia sido captado por radiotelescópios décadas atrás, mas passou despercebido.

Dados do Very Large Array e do Giant Metrewave Radio Telescope mostram registros do sinal desde 1988. Isso significa que o fenômeno vem se repetindo há pelo menos 33 anos sem ter sido identificado.

“Quando nossos telescópios registraram os primeiros pulsos, eu tinha cinco anos”, afirmou Hurley-Walker em comunicado. “Eles ficaram escondidos nos dados porque ninguém esperava encontrar algo assim.”

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Observações continuam

A equipe também utilizou instrumentos como o MeerKAT e o telescópio espacial XMMNewton para investigar o fenômeno. Os pesquisadores agora pretendem continuar monitorando o objeto e procurar sinais semelhantes em outras regiões do céu.

A descoberta pode ajudar a explicar fenômenos cósmicos ainda pouco compreendidos, como as rajadas rápidas de rádio, explosões extremamente energéticas detectadas em diferentes pontos do Universo.

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