Astrônomos identificaram um objeto espacial incomum que emite rajadas de ondas de rádio / Pexels
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Astrônomos identificaram um objeto espacial incomum que emite rajadas de ondas de rádio há mais de três décadas. A descoberta desafia teorias sobre alguns dos corpos mais extremos do Universo e pode representar um tipo raro de estrela ainda pouco compreendido.
O objeto, batizado de GPM J1839-10, foi detectado por pesquisadores da Curtin University e do International Centre for Radio Astronomy Research. Ele está localizado a cerca de 15 mil anos-luz da Terra, na constelação de Scutum.
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As observações mostram que o objeto libera pulsos intensos de ondas de rádio a cada 22 minutos. Cada emissão dura cerca de cinco minutos, um comportamento considerado incomum para fenômenos conhecidos.
A primeira pista surgiu em 2018, quando o estudante de doutorado Tyrone O'Doherty identificou um sinal estranho em dados de radiotelescópios. Inicialmente, os pesquisadores acreditaram que poderia se tratar de um remanescente estelar, como uma estrela de nêutrons ou uma anã branca com campo magnético intenso.
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A hipótese mais provável é que o objeto seja um magnetar, um tipo raro de estrela com campos magnéticos extremamente fortes capazes de liberar rajadas poderosas de energia. O problema é que o comportamento observado não corresponde ao que os cientistas esperam desse tipo de objeto.
Segundo a pesquisadora Natasha HurleyWalker, da Curtin University, magnetares conhecidos costumam liberar energia em pulsos que duram apenas segundos ou poucos minutos.
No caso do GPM J1839-10, os sinais persistem por períodos muito maiores. O estudo que descreve a descoberta foi publicado na revista científica Nature.
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Ao investigar arquivos de observações antigas, os cientistas perceberam que o objeto já havia sido captado por radiotelescópios décadas atrás, mas passou despercebido.
Dados do Very Large Array e do Giant Metrewave Radio Telescope mostram registros do sinal desde 1988. Isso significa que o fenômeno vem se repetindo há pelo menos 33 anos sem ter sido identificado.
“Quando nossos telescópios registraram os primeiros pulsos, eu tinha cinco anos”, afirmou Hurley-Walker em comunicado. “Eles ficaram escondidos nos dados porque ninguém esperava encontrar algo assim.”
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A equipe também utilizou instrumentos como o MeerKAT e o telescópio espacial XMMNewton para investigar o fenômeno. Os pesquisadores agora pretendem continuar monitorando o objeto e procurar sinais semelhantes em outras regiões do céu.
A descoberta pode ajudar a explicar fenômenos cósmicos ainda pouco compreendidos, como as rajadas rápidas de rádio, explosões extremamente energéticas detectadas em diferentes pontos do Universo.