Shopping de luxo fecha portas para barrar protesto

O grupo, formado por estudantes e integrantes do movimento negro, registrou um boletim de ocorrência acusando o estabelecimento de racismo, e só deixou o local às 17h

Comentar
Compartilhar
19 JAN 201415h39

O Shopping JK Iguatemi, um dos mais luxuosos de São Paulo, na zona sul da capital, fechou as portas neste sábado (18), às 13h45, para impedir a entrada de cerca de 150 pessoas que protestavam em apoio aos "rolezinhos". O grupo, formado por estudantes e integrantes do movimento negro, registrou um boletim de ocorrência acusando o estabelecimento de racismo, e só deixou o local às 17h, após o shopping informar que voltaria a abrir apenas hoje. Não houve tumulto e a Polícia Militar acompanhou de longe.

"O shopping só fechou quando nós chegamos. É inadmissível. O movimento entende isso como uma ação retrógrada, racista e discriminatória, que remonta o período do Apartheid (regime de segregação racional adotado na África do Sul até 1994)", disse o professor Douglas Belchior, de 35 anos, organizador do ato e integrante do movimento Uneafro, que pretende entrar com ação na Justiça contra o estabelecimento. O shopping não tinha liminar da Justiça impedindo o "rolezinho".

Em nota, o JK Iguatemi afirma que "repudia veementemente qualquer acusação de preconceito por parte do empreendimento" e que "todas as pessoas, independentemente de cor, classe ou credo, são bem-vindas". O shopping diz que fechou as portas "com o compromisso de garantir a segurança de seus clientes, lojistas e colaboradores".

Até os funcionários das lojas foram impedidos de entrar e a saída de quem já estava no local ocorreu por uma única porta nos fundos do shopping. "Vivo de comissão de venda. Olha aí meu dinheiro indo embora", lamentou a vendedora de vestidos Angélica Guimarães, de 40 anos, apontado para os carros de luxo de possíveis clientes que eram impedidos de entrar no estacionamento.

O Shopping JK Iguatemi fechou as portas neste sábado (18), às 13h45, para impedir a entrada de cerca de 150 pessoas que protestavam em apoio aos

Já Gilson Mesquita Nunes, de 24 anos, que mora no Jardim Miriam, periferia da zona sul, e trabalha em um restaurante do shopping, aderiu ao protesto e cantou rap e funk com os manifestantes. "Sábado passado fui humilhado porque o segurança me barrou na porta e pediu documento para poder entrar", disse. Na ocasião, o JK Iguatemi havia conseguido liminar na Justiça impedindo um "rolezinho" de adolescentes.

À noite, muitos frequentadores do shopping foram pegos de surpresa com a não reabertura do estabelecimento, cuja fachada espelhada ganhou cartazes de protesto e a calçada foi pichada. Uma família reclamou com seguranças que havia comprado ingressos pela internet para uma sessão de cinema e um casal de Curitiba já tinha entradas pagas para assistir à peça A Alma Imoral, a R$ 60. O shopping informou que os clientes serão ressarcidos e que neste domingo (19) as atividades voltariam normalmente.