No litoral de São Paulo, cresce a preocupação com a segurança e o bem-estar desses animais durante este período. / Pixabay
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A cada sexta-feira 13, como a que ocorre em dezembro, os gatos pretos voltam a ser alvo de superstições e mitos antigos associados ao azar. No litoral de São Paulo, cresce a preocupação com a segurança e o bem-estar desses animais durante este período.
Devido a essa combinação de crenças populares e má-fé de algumas pessoas, felinos de pelagem escura tornam-se mais vulneráveis a agressões, maus-tratos e até mesmo à utilização em rituais. Para prevenir situações de risco, a ONG Patinhas que Brilham decidiu suspender temporariamente a adoção de gatos pretos nessa época do ano.
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Casos de violência contra esses animais infelizmente ainda acontecem e já foram presenciados por profissionais. Antes da pandemia, a veterinária Ana Vieira Gallotti relatou ter visto dois rituais envolvendo gatos pretos no Morro da Nova Cintra, em Santos.
Segundo ela, os episódios ocorreram em dias diferentes, mas em locais próximos. Em ambas as situações, o cenário era semelhante: os animais estavam abertos, cercados por flores amarelas e azuis, alimentos e garrafas de bebida alcoólica.
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A veterinária destacou ainda que os gatos eram muito jovens, com cerca de 10 meses ou menos. Isso reforça relatos de que algumas pessoas utilizam gatos pretos não castrados, pois acreditam que o animal precisa estar “inteiro” para o ritual.
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Apesar disso, Ana afirma acreditar que os gatos pretos afastam energias negativas e lamenta que ainda exista tanta maldade:
“Eu acredito muito que gatos pretos afastam energias ruins, mas infelizmente ainda tem muita gente maldosa.”
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O preconceito não se limita apenas às datas simbólicas. De acordo com representantes da ONG Patinhas que Brilham, os gatos pretos costumam ser os últimos a serem adotados.
Vanessa Roversi, voluntária desde 2017 e responsável pelas adoções, explica que esses felinos acabam “encalhados” devido às superstições.
“É pelas superstições. As pessoas não buscam a adoção do gato preto por conta disso. Elas preferem muito mais os gatos brancos. Os pretos vão ficando para trás”, relata.
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Ela conta ainda que já ouviu diversos comentários preconceituosos ao longo dos anos:
“Já ouvi falarem: ‘Ai credo, eu não quero gato preto porque ele é traiçoeiro. Prefiro o gato amarelo, que dá sorte e gato preto dá azar.’”
Para evitar que pessoas mal-intencionadas adotem os animais com o objetivo de utilizá-los em rituais, a ONG suspende a doação de gatos pretos próximo à sexta-feira 13. A medida busca reduzir os riscos de agressões e maus-tratos.
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Vanessa reforça que a cor do animal não define sua personalidade. O que realmente importa é o carinho e a companhia que ele oferece.
“O amor dos gatos é incondicional. Independentemente da cor, ele vai te dar amor e retribuir com gratidão o fato de você tê-lo adotado.”
A conscientização, segundo os protetores, é fundamental para combater preconceitos e garantir que todos os animais tenham a chance de viver com segurança e dignidade.
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