Servidores pintam a Câmara e lembram ação da polícia em Cubatão

Ato foi realizado na tarde hoje (4) em frente ao legislativo cubatense; categoria mantém a paralisação

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04 ABR 2017Por Diário do Litoral21h39
Portas e vidros da Câmara Municipal de Cubatão foram pintados com tinta guache vermelhaPortas e vidros da Câmara Municipal de Cubatão foram pintados com tinta guache vermelhaFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Os servidores municipais de Cubatão, em greve há nove dias, realizaram na tarde de hoje (4), na porta da Câmara Municipal, ato para lembrar uma semana da ação da Polícia Militar (PM) contra os funcionários públicos, que tentavam impedir a votação dos projetos encaminhados pelo prefeito Ademário Oliveira (PSDB) ao Legislativo. A intervenção feita com bombas de gás lacrimogêneo deixou quatro pessoas feridas. A categoria aguarda o resultado do recurso contra a liminar que determina o retorno de 80% do funcionalismo ao trabalho. A paralisação continua.

“Hoje faz uma semana da intervenção da polícia. Fizemos um ato de agravo à intervenção da polícia. E eles estavam se preparando novamente para intervir no movimento. Fomos até o comando da polícia e explicamos para o comando que era um ato pacífico, como também foi o da semana passada. Usamos tinta guache, um sangue fictício, e nos comprometemos a limpar a Câmara depois do ato”, disse o servidor Peter Mahs, do Comando de Greve. Os manifestantes colaram cartazes e pintaram os vidros da Câmara Municipal com tinta guache vermelha em alusão à ação na terça-feira (28). Após a encenação teatral, que também contou com máscaras e panos pretos nos rostos, eles limparam o prédio.

A sessão realizada na Câmara durou aproximadamente 20 minutos. Após negociação, foi autorizada apenas a entrada de 150 pessoas. A maioria de servidores. “A Câmara está com medo do servidor. Em nenhum momento o servidor saiu da lei ou fez qualquer atitude que desabonasse a nossa conduta no movimento. Pelo contrário, a gente tem se preocupado com as nossas carreiras e se preocupado com o serviço público da cidade. Temos trabalhado nas piores condições possíveis e agora estão mexendo na questão salarial”, destacou Mahs.

Na próxima semana, os vereadores devem votar em segunda discussão alterações à Lei Orgânica do município, que integram a reforma administrativa proposta pela Administração Municipal. “A gente pretende continuar a greve até a queda dos projetos de lei do prefeito Ademário. Um dos pontos altos dessa mobilização será o dia da votação da Lei Orgânica, em segunda votação. Se ela for aprovada permite que os PLs que já foram aprovados antes sejam publicados. O objetivo do movimento é impedir essa votação”, explicou Mahs.

Greve

O Sindicato dos Servidores Municipais de Cubatão (Sispuc) e o Sindicato dos Professores Municipais de Cubatão (SindPMC) entraram com recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) na manhã de hoje (4) contra a liminar da juíza  Luciana Castello Chafick Miguel, que determina o retorno de 80% do funcionalismo ao trabalho. A magistrada também afirmou que multaria as entidades caso a ordem fosse descumprida. Uma nova assembleia deve ser realizada após o resultado do agravo ou a aplicação da sanção.

“É uma tentativa. A gente sempre espera uma resposta positiva, mas está difícil. A Justiça não tem nos dado apoio e a gente vai tentando. Como a gente não tem o resultado do recurso e do agravo estamos mantendo a greve. A gente não questiona a Justiça, obedece, e é o que vamos ­fazer”, afirmou Nilza ­Bretas, diretora financeira do Sindicato dos Professores Municipais de Cubatão.

‘Vai dar para pagar o aluguel’, diz Madalena

Desde o último dia 28, data em que teve início a greve, a Praça dos Emancipadores, onde está localizada a Prefeitura e a Câmara de Cubatão, fica tomada de servidores. Eles chegam ainda nas primeiras horas da manhã, por volta das 13 horas vão almoçar, retornam às 14h30 e de lá saem apenas quando a noite começa a dar sinal. A grande concentração de pessoas chamou a atenção de ambulantes, que têm aproveitado os dia de paralisação do funcionalismo cubatense para ganhar um dinheiro extra. É o caso de Madalena Reis, que conseguiu completar o dinheiro do aluguel.

“Vim porque estou guerreando junto com eles. Chego aqui 10h30 e só saio quando termina. Vendi mais na greve do que nos dias comuns. Com o dinheiro vai dar para pagar o aluguel. Tenho fé em Deus”, disse Madalena. Ela paga R$ 800 no aluguel do imóvel onde reside no Centro da cidade.

A paranaense do município de Maringá, que há seis anos mora em Cubatão, disse que ora todos os dias pela vida dos servidores e do prefeito. “Primeiramente oro pelos meus filhos, netos e irmãos. Depois por todos os que estão na greve. Eles lutam por condições melhores. E oro também pelo prefeito Ademário, para que Deus use a mente dele para pensar mais um pouco nas pessoas, na população e nos funcionários públicos”, ­afirmou a ambulante.

Lucia Maria da Silva também tem ganhado um pouco mais com a venda de sorvetes durante os dias de manifestação. Ela presenciou a ação da Polícia Militar no último dia 28. “No dia das bombas eu fiquei com medo e encostada em um canto da Prefeitura. Perdi as chaves da minha casa na confusão. Fiquei assustadíssima”, disse a moradora do Bolsão 9.
O jovem Cristian Léo, de 25 anos, ficou desempregado e no final do ano passado começou a vender água e refrigerantes na região do parque industrial. Soube da greve dos servidores um dia antes do seu início. “Vim achando que o movimento seria fraco. No primeiro dia, já de manhã, esvaziaram tudo. Fiquei muito contente. No dia da bomba eu estava aqui. Foi muito rápido e o pessoal começou a comprar e pedir muita água. Esvaziou a caixa de novo. Está dando para ganhar um dinheiro”, afirmou.