Servidores públicos municipais de São Vicente entraram em greve pela quarta vez neste ano. A paralisação aconteceu após o anúncio do novo cronograma de pagamentos dos salários.
Para hoje está prevista uma manifestação em frente à Prefeitura, a partir das 9h. A proposta é realizar um “apitaço” por um minuto para chamar a atenção do prefeito Luis Cláudio Bili (PP). Após o ato, os servidores deverão seguir em passeata até o posto da Guarda Municipal da Cidade.
Na manhã de ontem, cerca de 200 servidores também protestaram em frente ao Paço Municipal. Na pauta das reinvindicações, além do escalonamento dos salários, está o atraso no depósito da primeira parcela do 13º salário e a suposta perseguição aos guardas municipais que participaram da última paralisação, que ocorreu no começo do mês passado.
“É nítido que estão promovendo retaliações aos guardas após a paralisação. Muitos tiveram os horários de trabalho alterados e foram deslocados para outros postos. Pedimos respeito e que o Estatuto do Servidor seja cumprido pelo comando da corporação”, ressaltou Roberto Ciccarelli Filho, secretário geral do SindServ.
Questionado sobre o escalonamento dos salários e os atrasos no depósito do 13º, o vice-prefeito da Cidade, João da Silva (Pros), disse que “a arrecadação do Município está baixa e o escalonamento no momento é a única solução”. Ele reforçou também que “possivelmente” até o dia 10 deste mês seja depositada a primeira parcela do 13º dos servidores e a outra parcela comece a sair a partir do dia 15.
“Não podemos dar uma certeza, pois a situação está complicada não apenas em São Vicente, mas em todo o Brasil. Porém, temos o compromisso de trabalhar para que isso aconteça. O que pedimos é apenas um pouco de paciência para que tudo se resolva”, argumentou.
Em nota, A Prefeitura informou que o escalonamento de datas para o pagamento dos salários dos servidores foi amplamente debatido e que não tem medido esforços para antecipar o calendário, mediante a arrecadação. A previsão é que hoje, 56% dos salários da ativa referentes a novembro estejam creditados.
Sobre as denúncias contra a Guarda Municipal do Município, a Prefeitura informou que não há penalização de guardas em razão da greve, uma vez que a questão não é competência das secretarias.
A Administração informou ainda que “está sendo realizado um planejamento estratégico elaborado e praticado, o que nunca houve na GCM. O patrulhamento era realizado de acordo com a vontade pessoal de cada integrante da corporação. As mudanças de postos são normais, uma vez que os guardas não foram contratados para servir em um determinado local ou horário, mas na cidade de São Vicente, conforme o edital para o concurso que realizaram”.
Serviços comprometidos
Somente atendimentos de urgências e emergências são realizados no Hospital Municipal. Na Maternidade Municipal, funcionários do setor administrativo e enfermagem mantém expediente normal, porém os médicos seguem em estado de greve. No Samu 192, 30% dos funcionários estão trabalhando.
Na Secretaria de Assistência Social (Seas) houve adesão de 15 funcionários e a Guarda Civil Municipal (GCM) registrou 11 faltas ontem. A Secretaria de Educação informou que não houve aula na EMEF Jorge Bierrembach, no Jardim Rio Branco.
Inadimplência
A Prefeitura de São Vicente alega que um dos motivos para a falta de dinheiro é a crescente inadimplência na cidade. Por mês, cerca de 57% dos munícipes não realizam o pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
